Uma luz que não se apaga
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quarta-feira, 22 de julho de 2015
Celso Felizardo<br> Reportagem Local 
A Vara da Infância e da Juventude de Rolândia concedeu liminar esta semana que proíbe a Copel de interromper a distribuição de energia elétrica para a casa dos pais da garota Isabelly Vitória, que completa 2 anos no mês que vem. Eles tiveram que abandonar os empregos para cuidar da menina que nasceu com vários problemas de saúde. Segundo o pai, Wagner Roberto Mello, de 37 anos, o casal vive apenas do auxílio-doença da filha e de doações e não tem dinheiro para pagar a conta de luz, que passou de R$ 60 para R$ 600 após os aparelhos que mantêm a menina viva entrar em funcionamento.
Isabelly passou quase toda a vida internada em hospitais. Há um ano ela passou por um transplante de medula óssea. No início deste ano, a família viveu outro drama. O marcapasso destinado à menina foi direcionado a outra criança. Depois de muita angústia e um processo judicial, finalmente Isabelly recebeu o aparelho em fevereiro. Com a recuperação, os médicos liberaram a paciente para fazer o tratamento em casa no dia 29 do mês passado. "A partir daí que começaram a aumentar os gastos com a conta de luz, pois os aparelhos ficam ligados direto e consomem muito", explicou Mello.
Na medida de proteção, a juíza Nayara Rangel Vasconcellos estipulou multa diária de R$ 5 mil à distribuidora de energia caso a determinação não seja cumprida. "Esperamos o mínimo de consideração, afinal o que são R$ 600 por mês comparados a uma vida? Ela estaria consumindo muito mais recursos se ainda estivesse em um leito de UTI", comparou. A família vai agora pedir na Justiça a isenção definitiva da cobrança. "Mesmo que não cortem a luz, a cobrança implica em deixar meu nome sujo. Se eu passar a ter esta restrição, não vou conseguir comprar os remédios que ela precisa", explicou.
Além da difícil luta de pela saúde da menina, Mello precisa encontrar forças para os processos judiciais. Desde agosto do ano passado, quando Isabelly fez o transplante para curar uma imunodeficiência primária, recorrer à justiça foi a única solução encontrada para manter a filha viva. Já foram seis processos, todos com ganho de causa. "Seria tão mais fácil se houvesse bom senso, se não precisássemos passar por todo esse desgaste. Já passou da hora de isso acontecer. Mas, pela nossa filha, vamos enfrentar quantas lutas forem necessárias", garantiu.


