Uma história de vida de cinema
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quarta-feira, 16 de maio de 2012
Davi Baldussi <br> <br> Reportagem Local 
Londrina - A história de Roberto Carlos Ramos é tão boa, quase inacreditável, que não dá nem para escrever aquela famosa frase de efeito. A vida de Ramos já virou filme. O Contador de Histórias, como ele é conhecido, é também o nome dado ao longa-metragem sobre sua trajetória.
Vindo de uma família humilde de dez irmãos, Ramos foi levado pela mãe à Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem) de Belo Horizonte (MG) no início dos anos 70. A mãe acreditava que o filho teria melhores oportunidades na vida. E foi aí que a história dele passou a transformar num verdadeiro roteriro cinematográfico.
Na época havia propagandas motivando a ida de menores para Febem. ''Achava que ia chegar lá e ia ser como um castelo'', brincou. Mas não, na Febem logo ficou desiludido. ''Não era reconhecido como Roberto Carlos, era o número 374''. Com 7 anos ele já tinha fugido 12 vezes, com 13, ainda analfabeto, somava 132 fugas. Se envolveu com criminalidade, e foi considerado um caso irrecuperável.
Até uma francesa chamada Marguerit Duvas, que estava no Brasil fazendo uma pesquisa, entrar na sua vida. ''Ela realmente me deu o que vem a ser a verdadeira educação, noção de respeito, me ensinou tolerância, dignidade, cidadania.'' Ele foi adotado por Duvas e levado para França.
Ramos, hoje um pedagogo de 46 anos com vários livros escritos e que realiza palestras pelo Brasil e mundo, não acredita que menores infratores possam ser recuperados em unidades como os Centros de Socioeducação. ''A família é causa de todos os problemas e também a solução deles. Não é uma instituição que vai recuperar ou resgatar o direito à cidadania'', argumentou.
A vida dele também é uma prova de que Ramos acredita nessa teoria. Tanto que tem 25 filhos adotivos. ''Todos têm uma trajetória como a minha, de orfanato, Febem, casos irrecuperáveis. Os últimos cinco filhos estão no meu nome, mas os primeiros é que estão cuidando'', brincou. E acrescenta: ''Vale a pena insistir. O caminho é esse. Temos que acreditar nas pessoas.''
Hoje Ramos é um palestrante de renome. Em Londrina a convite da Associação Mãos Estendidas (AME), ele comentou sobre o filme O Contador de Histórias, do diretor Luiz Villaça, que foi lançado em 2009 e narra sua trajetória. ''Foi o o primeiro filme a receber chancela da Unesco (órgão das Nações Unidas para a educação), como altamente recomendado. Recebi recentemente uma premiação num festival jovem em Moscou. Você precisa ver eu falando russo'', brincou.


