A trajetória de Gianne Giovanini Barbiere, 38 anos, exemplifica como histórias de vida permeadas pela tragédia podem ser revertidas em sucesso. Esposa do agropecuarista Rubens Barbiere, ela assistiu à queda dos negócios familiares após uma crise que quase provocou a perda da fazenda que possuem. Com três filhos para criar, começou a produzir queijos frescos para vender a amigos e conhecidos. Hoje, proprietária de uma empresa lucrativa, sente-se orgulhosa por ter recuperado os negócios e a dignidade da família.
Ela iniciou a produção de laticínios em 1994, utilizando vacas emprestadas de um amigo para conseguir o leite necessário. As primeiras noções da arte foram aprendidas com a avó, que ensinou-lhe o processo artesanal de manufaturar o produto. Para aprimorar a qualidade do queijo produzido, passou a pesquisar novas técnicas.
Movida pela necessidade, expandiu a comercialização e passou a vender queijos para hotéis em Maringá e Londrina. ‘‘Não queria disputar mercado nas prateleiras de supermercado, por isso procurei um nicho diferente, que utiliza queijo fresco no café da manhã. Era um segmento que ainda não estava saturado’’, explicou.
No início da empreitada, Gianne conta que saía de casa sem destino certo para entregar os queijos. ‘‘Ia batendo de porta em porta, tentando conquistar os clientes. Há cerca de três anos, eles passaram a me procurar’’. Atualmente, a produção da Fazenda Sumatra é distribuída em hotéis, companhias aéreas, hospitais e restaurantes de Maringá e Londrina.
Para obter a credibilidade do produto, ela vendeu seu carro e instalou uma queijaria que atende a todas as normas estabelecidas pela vigilância sanitária. Mensalmente, são produzidas três mil peças de queijo frescal e oitenta barras de mussarela, mas Gianne garante que a queijaria tem capacidade para aumentar este volume. ‘‘Só vou produzir mais se houver gente interessada em comprar’’, analisou.
Empresária estabelecida, ela conta que atualmente é convidada para participar de seminários e congressos da área de laticínios. Também está envolvida com a pastagem que alimenta o seu próprio gado. ‘‘É mais uma forma de garantir a qualidade do meu produto’’.
Orgulhosa de seu empenho, a queijeira disse que as despesas da casa e os filhos na escola são mantidos graças ao seu trabalho. Comentou, porém, que as dificuldades enfrentadas para recuperar o padrão de vida não foram poucas, principalmente porque teve que abandonar a função de mãe em tempo integral para se dedicar ao trabalho. ‘‘Sentia a consciência pesada’’, comentou. Também recorda-se, com pesar, das humilhações sofridas pela família quando estavam sem dinheiro e sem crédito.
Hoje, com as dificuldades superadas, ela planeja estudar inglês e fazer faculdade de Nutrição ou Engenharia de Alimentos. Para os filhos (duas garotas de 17 e 14 anos e um menino de 12), ela espera deixar como herança a sua experiência. ‘‘Eu os incentivo a serem ativos e independentes’’.

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