Uma experiência bem-sucedida
São Paulo, 05 (AE) - No início do ano passado, a supervisora de ensino ¶ngela Cecília Emílio recebeu uma tarefa delicada: montar salas de aula com metodologia específica para adolescentes presos, de alta periculosidade.
A maioria dos 110 estudantes cumpria pena da unidade da Febem da Raposo Tavares por homicídio, estupro e assalto à mão armada.
Logo ela percebeu que uma das maiores dificuldades era montar um programa para estudantes que não tinham tempo estabelecido para cursá-lo. A permanência deles na sala de aula dependia de decisão judicial.
¶ngela associou a metodologia das classes de aceleração à dos módulos utilizados nos supletivos. Dividiu os alunos em três grupos de aceleração: da alfabetização à 2ª série; da 3ª à 4ª e da 5ª à 8ª. Para os alunos do ensino médio, foi aplicado o material do telecurso.
Entre maio e junho, os melhores alunos da aceleração 2 foram promovidos para o grupo 3. Em agosto, todos fizeram as provas do Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp) aplicado às classes do 1º ano do ensino médio. Quem alcançou a mesma média (45,6%) dos alunos matriculados nas escolas subordinadas à 14ª Delegacia de Ensino (que coordenou esse trabalho) foi promovido àquela série.
Foi assim que garotos como A. L. de 15 anos, preso quando estava na 5ª série, foram promovidos ao ensino médio em um ano. Ele teve média de acertos de 52,7% no Saresp. Dos 110 alunos, 59 foram promovidos, incluindo os dois adolescentes, já em liberdade, que passaram no vestibular.
" Ninguém revelou aos professores dessas classes o crime que os alunos cometeram para não influenciá-los", conta ¶ngela.
Em Caieiras, Grande São Paulo, a supervisora Maria de Fátima Ferreira fez uma pesquisa com cerca de 50 ex-alunos da aceleração. Nas redações, a maioria conta que, até então, sofria de complexo de inferioridade e não conseguia aprender. (G.A.)





