Buenos Aires (AE-ANSA) - Uma esquerda fragmentada com seis candidatos participará no domingo das eleições presidenciais na Argentina, mas quase sem possibilidades sequer de conquistar uma das cadeiras em disputa.
Esquerda Unida, o Partido dos Trabalhadores Socialistas (PTS)
o Partido Obreiro (PO), a Frente da Resistência (FR), o Partido Humanista (PH) e o Partido Socialista Autêntico (PSA) apresentaram candidatos ao pleito.
Nas pesquisas aparecem sob o título de "outros", com pouco mais de 4%, quase o mesmo que os votos em branco e que, separados, não são suficientes para a obtenção de um assento sequer.
A "esquerda social", como principal expressão de um sindicalismo opositor centrado na Central dos trabalhadores Argentinos (CTA), optou pela autonomia política e reconhece a escassa ou mesmo nula influência dos diversos partidos de esquerda.
A esquerda partidária explica sua falta de penetração na sociedade por diversas causas como a crises de seus paradigmas mundiais, o genocídio da ditadura e a dificuldade para reinterpretar sua razão de ser nos dias de hoje.
Neste contexto, o voto "progressista", a falta de opções consistentes da esquerda, parece canalizar-se em boa parte para as grandes formações, em especial a Aliança (URC-Frepaso) opositora.
Até o "não à dívida externa", um bandeira que a esquerda levanta com força desde 1983, encontra divergências. Uns são a favor de ignorá-la e outros por revisar aquela ilegítima, contraída desde o regime militar e estatizada em seu decurso pelo então presidente do Banco Central, Domingo Cavallo, hoje candidato presidencial.
No ponto mais urgente para o eleitorado, o desemprego, na esquerda prevalece as opções de proposta de redução da carga horária semanal para 35 horas, dividir o emprego e proibir das demissões sem afetar o valor dos salários. O mesmo acontece sobre privilegiar as relações com a América Latina, defrontar os EUA e dar um fim social ao Mercosul.
Todos reconhecem que carecem de oposições presidenciais, mas estão certos de que os sucessivos ajustes convenceram muito tarde o eleitorado de que o socialismo é o caminho para reverter de uma vez a desigualdade econômica.
"Queremos estabelecer a idéia do voto útil, estabelecer uma alternativa frente aos postulantes com as mesmas opções estratégicas. Se conseguirmos 5%, registraríamos um diário Ganhou o PO", argumenta o trotskista Jorge Altamira (PO).
A esquerda teve seus últimas dois deputados (do IU) desde o vencimento de seus mandatos em 1995: Floreal Gorini, do Partido Comunista (PC), minado por dissidências e quebras, e Luis Zamora
do Movimento ao Socialismo (MAS), subdividido por usa vez no MST (parte do IU) e o OTS.
"Não acredito que vá ser presidente, pelo menos por enquanto", declara, rindo, Jorge Reyna (FR), um ex-peronista, que junto com a humanista Lía Méndez, é o menos socialista do conjunto.
São as reivindicações de pureza ideológica, a auto-imposição de um papel de "vanguarda", a pretensão de hegemonia e uma sempre sutil discrepância por táticas e estratégias, que segue dividindo a esquerda argentina.
"No Partido Obreiro eles têm a idéia de que são o partido e não concordam em tentar uma coalizão se não colocam a Alatamira como candidata", queixa-se a candidata Patricia Walsh (IU).
Uma parte do IU, incluindo o Partido Comunista, formou inicialmente a Frente Grande, embrião do Frepaso, liderado pelo ex-peronista Carlos Alvares, que agora se dispõe a chegar ao poder com a Aliança com a UCR.
Segundo Walsh, filha do escritor Rodolfo Walsh, assassinado pela última ditadura, "o genocídio provocou crises com toda a idéia de transformação. Além disso, as práticas de alguns partidos (o personalismo e o sectarismo) contribuem para esta dispersão".
Para Domingo Quarracino (PSA), do socialismo mais moderado, também ex-integrante do Frepaso, onde "cinco tipos decidem tudo", critica, a alteração na esquerda consiste em que "já não cremos nessa história de que o Estado tem que ser o dono de tudo".
Todos devem definir-se sobre o ajuste monetário no qual se apoiou a estabilidade desde 1991, impedindo a competitividade da indústria nacional, a convertibilidade e com indícios de que a maioria não quer uma desvalorização.

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