Uma em cada três mulheres já foi vítima de violência
Ao menos uma em cada três mulheres em todo o mundo já foi espancada, coagida a ter relações sexuais ou sofreu algum tipo de violência - na maioria das vezes cometida por alguém conhecido, muitas vezes seu próprio marido ou algum outro homem de sua família. Uma em cada quatro já sofreu algum tipo de abuso grávida. E cinco mil mulheres são mortas anualmente nos chamados crimes de honra. Os números estão no relatório anual da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a situação das populações, divulgado ontem.
O relatório mostra que a violência contra as mulheres não ocorre apenas em países subdesenvolvidos. De acordo com estatísticas de diversos países, o percentual de mulheres que já registrou queixa por ter sido agredida por seu parceiro é de 29% no Canadá, 22% nos Estados Unidos e 21% na Suíça. Em países mais pobres, o percentual aumenta bastante, chegando a 67% em Papua Nova Guiné, 45% na Etiópia e 40% na Índia.
Na avaliação dos especialistas da ONU, isso ocorre porque a violência contra a mulher é tolerada e, em alguns casos, bem-aceita em muitas culturas. O direito do marido de bater na esposa é uma convicção enraizada em muitas sociedades, diz o relatório. As próprias mulheres acham as agressões físicas justificadas em certas circunstâncias. Em áreas rurais do Egito, por exemplo, mulheres relataram que as agressões podem ocorrer se a esposa se recusa a fazer sexo com seu parceiro.
Recusar o sexo, desobedecer ao marido, retrucar, falhar no cuidado com as crianças ou a casa, não ter a comida pronta no horário, questionar o parceiro sobre eventuais namoradas ou ir a algum lugar sem a sua permissão são apontados como os principais detonadores da violência doméstica. Além das consequências diretas das agressões, as mulheres espancadas ou estupradas podem sofrer com gestações indesejadas, abortos feitos sem segurança, doenças sexualmente transmissíveis e problemas psicológicos. O Banco Mundial estima que, em países industrializados, a violência sexual custa de um a cinco anos de vida saudável a mulheres entre 15 e 44 anos.
Matar a mulher que transgride determinadas regras sociais também é uma prática tolerada em algumas culturas. O relatório da ONU mostra que, de acordo com estimativas internacionais, cinco mil mulheres são mortas anualmente nos chamados crimes de honra por integrantes de suas próprias famílias. (R.J.)





