Eles enfrentaram 50 horas de viagem de ônibus, estão hospedados em um alojamento improvisado, dormem em colchonetes e comem marmitex ou prato-feito. No entanto, a falta de conforto parece pequena diante do amor pela música demonstrado por um grupo de 35 piauienses que estão participando da 32 edição do Festival de Música de Londrina. A saga destes nordestinos é apenas uma amostra de um evento marcado pela diversidade e que atrai para a cidade pessoas de vários cantos do país e do mundo.
''A temperatura no Piauí varia entre 30 e 40 graus. Saímos desse clima na quarta-feira pela manhã e chegamos a Londrina na sexta-feira, quando os termômetros marcavam 10 graus. Mas o frio não é motivo de desânimo, todos estamos encantados com a cidade que é linda. Antes da viagem, os alunos criaram um perfil no Facebook para interagir com a comunidade local e descobrir os locais mais interessantes de Londrina para visitá-los durante o festival'', destaca Erivaldo Borges, professor do curso de Violão do Instituto Federal do Piauí (Ifpi).
Juntamente com outros 33 alunos e mais um professor do Piauí, ele está hospedado na sede do Instituto Federal do Paraná (IFPR), em Londrina. ''Trouxemos colchonetes e roupa de cama no ôninus cedido pelo Ifpi. Todos tivemos que comprar blusas para vir para cá, porque lá a gente não usa nunca. Os alunos também ganharam uma bolsa de incentivo no valor de R$ 510 cada para ajudar na alimentação. Apesar da distância, temos certeza de que essa será uma experiência enriquecedora para os estudantes - que se dividem em cursos de violão, flauta e canto -, pois o festival de Londrina é um dos mais bem conceituados do Brasil'', enfatiza Borges.
Vinda de Brasília, Sheila Dellezzopolles diz que também está gostando de Londrina. ''A cidade é muito bonita, só achei pouco criativo o nome das ruas do centro remeterem a estados brasileiros. Mas não posso reclamar, pois não há nenhuma poesia no fato das ruas de Brasília serem batizadas apenas com números'', brinca. Ela conta que está hospedada em uma pensão e, com exceção do frio, não sentiu tanta diferença cultural e gastronômica entre Londrina e Brasília.
Matriculada no curso de clarinete, ela acredita que as aulas do FML e a interação com músicos de vários cantos do mundo será importante para seu crescimento profissional. ''Parei todas as minhas atividades para participar do festival, mas acho que vai valer a pena'', diz ela que faz curso de acupuntura de manhã, graduação em música na Universidade de Brasília à tarde, e trabalha como maquinista de metrô à noite.
Integrante de uma família de musicistas de Belém do Pará, Arthur Aliverti de Barros relata que estuda piano desde os três anos de idade. ''Minha avó era professora de teoria musical e minha mãe é cantora lírica. Tenho muita facilidade em tocar piano, mas confesso que tive um pouco de dificuldade na hora da audições classificatórias devido ao frio daqui, que acaba enrijecendo as mãos'', queixa-se.
O jovem diz que é primeira vez que viaja ao Sul do País, mas já estava acostumado com a cultura local. ''Desde o início de julho estou viajando com a minha tia que mora no Rio Grande do Sul. Então acabei me habituando ao clima e à cultura, pois visitamos várias cidades gaúchas, de Santa Catarina e do Paraná. Cheguei a Londrina há dois dias, mas estava tão preocupado em ter um bom desempenho no festival que ainda não tive tempo de passear pela cidade. O pouco que vi até agora eu gostei'', resume o paraense.
A 32 edição do Festival de Música de Londrina atende 950 estudantes matriculados em 56 cursos. O evento teve início no dia 14 e prossegue até o próximo dia 28.

mockup