O zumbido fantasma, sensação de ouvir ruídos, sem que haja um fonte geradora real no ambiente, é um mal que afeta 17% das pessoas no mundo. Conforme a Public Health Agency of America (Agência de Saúde Pública da América) nos EUA, o zumbido é o terceiro pior problema de saúde no mundo, ficando atrás da ''dor'' e da ''tontura''.
O motivo do zumbido, que chega a atormentar as pessoas 24 horas, está ligado à superexposição a ruídos e sons, como aparelhos eletrônicos que tocam MP3 e fones de ouvidos. Em sua fase aguda, a sensação de estar ouvindo algo que ninguém ouve, pode levar à surdez, loucura e até suicídio.
O otorrinolaringologista, Ricardo Borges, afirma que o problema é cada vez mais comum em seu consultório, em Londrina. Ele alerta para o uso de MP3, quando as pessoas chegam a ficar quase o dia inteiro com fone de ouvido, escutando sons muito altos (em torno de 80 decibéis). ''Estas pessoas correm o risco de ter lesão coclear (veja ilustração)'', alerta Borges. A cóclea(conhecida como o microfone do ouvido) lesionada provoca ruídos diferenciados no cérebro.
Professor da Universidade Norte Paraná (Unopar), Borges esclarece que o som ambiente entra pela orelha e é transformado pela cóclea em impulsos elétricos, sendo levados ao cérebro para serem interpretados. Com a lesão, os neurônios que transmitem informação auditiva ao cérebro ficam desorganizados. ''Na verdade, o zumbido surge desta desorganização, quando os neurônios se reagrupam e passam pulsos elétricos diferentes para o cérebro'', explica.
Os sons que o paciente tem a sensação de ouvir vão desde um rádio fora de sintonia, até sinos intermitentes durante 24 horas. Borges assinala que o zumbido fantasma é de difícil diagnóstico e, na maioria dos casos, de difícil cura. ''Há uma parcela de pacientes que os exames não conseguem definir a causa, ficando difícil de atuar sobre o problema de zumbido''. Ele informa que há terapias para se habituar ao ruído, como a TRT (Tinnitus Retraining Therapy). ''Não é normal se habituar ao zumbido'', ressalva, explicando que o paciente passa a ouvir sons neutros (de cachoeira, de água, de chuva) para, com isso, desviar a atenção do zumbido. ''Terapia de habituação é uma técnica que tenta reorganizar estes neurônios''. Ele informa que há próteses de sons neutros no mercado, que devem ser utilizadas sob orientação médica.
Outras causas
O zumbido pode também estar ligado a problemas neurológicos, cardiovasculares, metabólicos, dentários entre outros. Um exame de audiometria e exames paralelos podem detectar o problema, segundo Borges. ''Nem sempre, o diagnóstico é muito difícil'', pondera. A ansiedade, o estresses e a superexposição a sons contínuos agravam o quadro do paciente. Ele lembra que em muitos casos, o paciente tem seu quadro piorado devido à ''supervalorização'' do problema. ''Imagine você dizer que está ouvindo coisas que ninguém ouve'', demonstra, ao detalhar a situação.
O zumbido pode levar pacientes ao suicídio e a loucura. ''Ainda não tive pacientes com este quadro mais grave, mas há como atenuar este problema, mediante terapias adequadas'', destaca. A maioria das pessoas se queixa do problema durante a noite. ''Quando o ambiente fica mais silencioso, o paciente houve mais nitidamente o zumbido''. Ele recomenda para as pessoas que tenham o sintoma passem a utilizar sons neutros para poder descansar. E alerta que o zumbido, caso não seja cuidado, pode levar o paciente a perder a audição.

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