Londrina – Há cinco anos, o Paraná tinha mais presos em delegacias do que no sistema penal. De 30,5 mil detentos, 16,2 mil estavam em carceragens dos distritos policiais. Após esforços da Secretaria de Estado de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (Seju) - à época responsável pela administração penitenciária - o número teve redução significativa. Em dois anos, o contingente de presos em delegacias caiu de 16,2 mil para 9,8 mil, redução de 39%. No entanto, desde dezembro de 2012, praticamente não há redução nas carceragens do Estado.
Os 9,6 mil presos em delegacias representam hoje quase um terço da população carcerária paranaense, que é de 29,1 mil presos, apenas 177 a menos que o registrado há dois anos e meio. Em dezembro do ano passado, a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) assumiu o Departamento de Execução Penal (Depen) com a missão de retomar o programa de esvaziamento dos distritos policiais, porém o que se vê são fugas constantes em todo o Estado.
Na madrugada de ontem, 33 presos fugiram da Delegacia de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). Eles cavaram um túnel em uma das celas e ganharam as ruas antes de clarear o dia. De acordo com a Polícia Civil, a carceragem que tinha capacidade para 30 vagas abrigava 115 detentos, superlotação quase quatro vezes acima do aceitável. Até a tarde de ontem, quatro presos haviam sido recapturados.
Há pouco mais de três meses, 28 presos homens haviam fugido da mesma delegacia após serrarem as grades de uma das celas. De acordo com os policiais, o prédio antigo e a superlotação facilitam as fugas. "São prédios ampliados e remendados que não são planejados para abrigar presos. Esta não é a função da delegacia", reafirmou Fábio Rossi Barddal, vice-presidente do Sindicato das Classes Policiais Civis do Estado do Paraná (Sinclapol).

LONDRINA

A fuga na RMC acontece cinco dias depois de 64 detentos escaparem do 4º Distrito Policial de Londrina. Na prisão, 114 detentos dividiam o espaço destinado a 24 homens. Com celas superlotadas, boa parte do grupo ocupava o corredor da carceragem. Os presos invadiram o cartório da unidade e levaram cinco armas. De acordo com a Polícia Civil, até o início da noite de ontem, 33 deles haviam sido recapturados.
Londrina é a região com o maior número absoluto de presos em delegacias, com 2.365, seguida por Cruzeiro do Oeste (1.481), Maringá (1.408) e Cascavel (1.081). Já proporcionalmente ao número total de presos, as piores situações são de Cascavel, Cruzeiro do Oeste e Maringá, onde os encarcerados em delegacias ainda são maioria. "As ações do governo caminham a passos muito lentos e não resolvem o problema. Enquanto isso, a Polícia Civil segue engessada, com o trabalho comprometido", criticou. Na capital, por onde a Sesp começa o esvaziamento das carceragens, são 9.229 presos em penitenciárias e apenas 844 nas delegacias.

OUTRO LADO


Por meio de nota, a assessoria de imprensa da Sesp informou que tem transferido de 100 a 150 presos semanalmente para o sistema prisional. Uma das apostas da Sesp é nas Varas de Audiência de Custódia, que visa garantir que em até 24 horas a pessoa presa em flagrante seja apresentada e inquirida pelo juiz competente, ouvidos também o Ministério Público e o advogado do preso.
A Sesp ressalta também a adoção das tornozeleiras eletrônicas para presos que cometeram crimes de menor potencial ofensivo e obras em penitenciárias (12 construções e oito ampliações). Com essas obras previstas, a Sesp estima que será possível abrir aproximadamente 7 mil vagas no sistema penitenciário.

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