Amsterdã (AE-AP) - Uma homem branco de meia idade, barrigudo e desempregado cai subitamente no sofá para assistir televisão com seus filhos. Conheça o rei Togbe Korsi Ferdinand Gakpetor II de Gana.
Na Holanda, o rei é Henk Otte, um trabalhador da construção que recebe salário-desemprego. No oeste da áfrica, ele governa parte da exuberante Região do Volta, onde dezenas de milhares de euês que o reverenciam como Togbe, ou rei.
Otte, 43 anos, é holandês, nascido e criado em Amsterdã como seus pais. Ele reside num projeto de habitação estatal com sua esposa e dois filhos e uma vida comum combina perfeitamente com seu perfil.
Mas quando visitou a cidade natal de sua esposa, nascida em Gana, em 1995, ele foi identificado como a reencarnação do falecido chefe, avô de sua esposa.
"Meus dois irmãos estavam lá quando pediram que eu me tornasse rei", diz Otte com uma risada. "Quando eu traduzi para eles o que havia sido dito, eles quase engasgaram de tanto rir: Você, um rei? Ha!".
Agora, quando seus irmãos o acompanham a Gana, Otte é carregado em tronos portáveis e rodeado por animadas multidões. Homens tocam tambores e dançarinos serpenteiam numa procissão surreal que já foi mostrada em diversos documentários da televisão holandesa.
A região que ele domina, cerca de 70 quilômetros ao leste da capital Acra, compreende cerca de 40 vila onde moram mais de 100 mil pessoas. O local ficou sem um líder por quase 17 anos até o que holandês fosse proclamado rei.
Os euês, um grupo de tribos que fala a mesma língua, somam cerca de 10% da população de Gana, que é de 18,5 milhões.
De acordo com a sabedoria local, os euês na região do Volta são originários das margens orientais do rio Aklakpa, no Togo. Seu primeiro rei, de acordo com a lenda, foi carregado através das escuras e torrenciais águas por jacarés para assentar sua terra natal.
Quando está na áfrica, Otte usa uma coroa e roupas de monarca de vive numa casa construída para ele.
A atração de Otte por Gana começou quando ele era uma criança
quando leu sobre a história e a geografia da região. Tempos depois, diz ele, uma cartomante ganesa previu que ele obteria uma posição de poder.
Durante uma visita à vila de Mepe, onde sua esposa nasceu, um curandeiro espiritual disse a Otte coisas sobre sua vida na Holanda que ele acredita que o curandeiros não teria como saber. Os aldeões não tiraram os olhos dele, insistindo que sua aura espiritual lembra a eles a do falecido rei. Ele tornou-se um ímã para multidões de crianças e visitantes, que caminhavam por dias para vê-lo.
Numa noite, os líderes de Mepe disseram a ele que ele era o escolhido.
"Eles perguntaram como eu me sentiria a respeito de tornar-me rei", conta. "Eu olhei para eles e pensei: Vocês devem estar completamente loucos".
Embora esteja considerando a hipóteses de mudar-se para Gana, Otte está ciente de que uma vida como rei não é apenas alegre e cheia de jogos. Em Mepe, ele não pode comer nem beber em público
não pode apertar as mãos dos milhares de "plebeus" que aglomeram-se ao seu lado e sempre o acompanham, mesmo quando ele vai ao banheiro.
Por enquanto, ligações telefônicas e faxes são a única maneira encontrada por Otte para manter sua voz nas decisões da comunidade. Ele também coleta doações para melhorar o empobrecido sistema educacional da região e mandou um carregamento de brinquedos para as crianças.
Ao contrário das multidões de estrangeiro, em sua maioria prestadores de assistência de todo tipo, que foram nomeados "chefes do desenvolvimento", Otte tem uma posição com autoridade.
Ele passará por uma cerimônia tradicional no quinto aniversário de sua coroação em agosto, um ritual que pode durar semanas.
Otte não acredita em reencarnação, mitos ou cura espiritual. Mas com o passar dos anos, ele superou seu cepticismo ocidental e agora acredita que seus súditos que sua nomeação estava predeterminada por um ser superior. "Se você pensar sobre o assunto, é bastante estranho", diz ele. "Mas esse é o meu destino".

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