Curitiba, 21 (AE) - A Polícia Militar do Paraná desocupou, hoje de manhã, as fazendas Monte Castelo, em Santa Cruz do Monte Castelo, e São Francisco, em Querência do Norte, no noroeste do Estado. De acordo com a polícia, um sem-terra foi ferido nos pés por estilhaços de uma bomba de efeito moral e sete foram detidos, sob acusação de porte ilegal de arma, invasão de área particular e resistência ao cumprimento de ordem judicial.Os sem-terra afirmam que a desocupação foi violenta, deixando alguns feridos, principalmente com queimaduras, e que os barracos foram queimados.
As fazendas Monte Castelo, de 672 hectares, e São Francisco, de 160 ha, são produtivas. , segundo laudo do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e a reintegração de posse foi determinada pela Justiça.As informações são da Secretaria de Estado da Segurança Pública,
As 70 famílias que estavam nas fazendas foram levadas para os locais de origem. O único incidente, segundo a secretaria, ocorreu na Fazenda Monte Castelo, pois um grupo tentou impedir a entrada dos policiais. A polícia lançou uma bomba de efeito moral e os estilhaços teriam ferido levemente o pé de um sem-terra. Na outra fazenda a desocupação foi pacífica. Foram apreendidas cinco espingardas e várias facas e facões. Também estão com a polícia dois tratores. A suspeita é de que sejam roubados.
Denuncia - O cooordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) no Paraná, Roberto Baggio, criticou a ação policial. "Mais uma vez a polícia organizou um ato violento, prendendo lideranças, queimando os barracos, prendendo adolescente, queimando mulheres", disse. "É uma ação que desrespeita a vida, o direito ao trabalho; é um atentado contra a dignidade humana." O MST diz que a ação policial ocorreu às 3 horas da madrugada.
O assessor da Secretaria de Segurança Pública, Valdir Bicudo, garantiu, que não houve violência. "Ao notarem a presença de integrantes da Polícia Militar, alguns sem-terra embrenharam-se nos matagais e acabaram se ferindo", afirmou. "Para se precaver, o secretário de Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, determinou que o Instituto Médico Legal de Paranavaí e um médico da cidade, que não seja vinculado ao IML, façam exame de lesões corporais nos sem-terra que estão presos."

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