O Ministério da Saúde divulgou nesta segunda-feira (24) dados acerca de uma infração de trânsito que decorre do estilo de vida informatizado e apressado nas grandes cidades e já pode ser considerado um hábito também dos londrinenses: o uso do celular ao dirigir. De acordo com o relatório do Vigitel (Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), 19,3% da população das capitais brasileiras afirmou ter feito uso do celular enquanto dirigia pelo menos uma vez nos 30 dias anteriores ao levantamento.

Se analisados os números da pesquisa, realizada por telefone com 52,3 mil pessoas maiores de 18 anos entre fevereiro e dezembro de 2018, pode-se afirmar que o perfil deste motorista infrator é jovem, tem entre 25 e 34 anos (25%), além de possuir maior grau de escolaridade, pelo menos 12 anos de estudo (26,1%).

Imagem ilustrativa da imagem Um quinto dos brasileiros já usou celular no volante; multas crescem em Londrina
| Foto: Folha Arte

Já dentre as capitais cujo o índice de motoristas que admitiram cometer a infração é maior, a pesquisa revelou que em Belém (PA) quase um quarto dos condutores (24,1%) utiliza o celular enquanto dirige. Em seguida, aparecem Rio Branco e Cuiabá (24%), Vitória (23,7%), Fortaleza (23,5%) e Palmas (22,4%). Curitiba aparece em 23º lugar no ranking de capitais, com 18,22% de motoristas que admitiram já terem cometido a infração pelo menos 30 dias antes da pesquisa.

Para Marli Batagini, coordenadora de Infrações de Trânsito do Detran-PR (Departamento de Trânsito do Paraná), o Brasil vive uma situação “assustadora”, uma vez que a utilização do aparelho ao volante não é exclusividade das vias urbanas, mas ocorre também em rodovias, onde a velocidade permitida é maior. Além disso, a infração também já deixou de ser exclusividade de condutores de automóveis e é cometida também por motociclistas.

Batagini lembra que a legislação é clara com relação ao uso do celular mesmo com o veículo parado à espera do sinal verde, momento em que muitas pessoas “aproveitam” para conferir algum recado em aplicativos de mensagens, e-mail, redes sociais ou mesmo para atender ligações. “Ele interrompeu naquele momento a marcha do veículo, mas está em circulação na via pública, em cima da pista de rolamento e a legislação é muito clara ao dizer que quando você está compartilhando a via pública a sua atenção deve estar voltada única e exclusivamente para as ações ao seu redor”, ratifica.

É esse pensamento que resulta em uma cena comum no trânsito das cidades, aquele momento em que o condutor não percebe que o veículo à frente retomou o fluxo normal da via a ponto de arrancar com pressa após ouvir a buzina do veículo que encontrava-se logo atrás. “Ficou uma distância, às vezes 50 metros, e essa pessoa percebe e arranca. Quando ela arranca, não teve o cuidado de olhar para as suas laterais, verificar o retrovisor, ela não está saindo para um trânsito de normalidade”, lamenta.

Para quem considera “exagero”, os números confirmam a preocupação das autoridades de trânsito. De acordo com o Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), entre janeiro e maio deste ano foram registradas 372,3 mil multas, número 24% maior em relação ao mesmo período do ano passado (300 mil). Já no Paraná foram lavradas quase 50 mil multas no período. No entanto, a somatória no Estado se manteve estável em comparação com os cinco primeiros meses de 2018.

Os sete pontos na CNH (Carteira Nacional de Habilitação) e a multa de R$ 293,47 parecem não ser o bastante para “frear” o comportamento, tanto que em 2018 foram 117,3 mil infrações por dirigir segurando, manuseando ou falando ao celular em todo o Estado. Vem sendo assim desde novembro de 2016, quando a multa passou a ser considerada gravíssima. “Quer dizer, buscou coibir através da penalidade, mas nós percebemos que isso não vem caindo. Três infrações desta levam o condutor a perder o direito de dirigir por seis meses e basta olhar em uma fila de dez carros [para ver] pelo menos quatro fazerem uso do celular”, aponta Batagini.

Em 2017 no Brasil, 35,3 mil pessoas morreram em decorrência de acidentes de trânsito e 166,2 mil precisaram ser internadas. Também de acordo com o governo federal, foram gastos R$ 229,2 milhões com as internações. Na ocasião o Ministério da Saúde também divulgou o resultado da pesquisa que abordou outra combinação perigosa. De acordo com o levantamento, 5,3% dos entrevistados assumiram terem conduzido veículos após ingerir qualquer quantidade de bebidas alcoólicas.

Em Londrina, número de infrações cresceu quase 40% no período

Entre janeiro e maio deste ano, 5.151 infrações por uso de celular ao volante foram lavradas em Londrina. O número é 38,87% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado (3.709), de acordo com dados do Detran-PR. Já em 2018 foram lavradas 9.924 multas no município.

O diretor de Trânsito da CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização), Sérgio Dalben, lembra que com base nas autuações feitas pelos agentes da Companhia em 2018 em Londrina (2.704), é possível considerar que mais de 10% dos motoristas londrinenses já cometeram a infração. “É uma rotina e é muito perigosa", alerta.

Nos primeiros cinco meses do ano, 44 pessoas morreram em decorrência de acidentes de trânsito em Londrina. Também segundo a CMTU, neste período foram registrados 109 atropelamentos e 892 colisões. “Nós vamos continuar na fiscalização, fazendo as notificações e estamos vendo a orientação de fotografar a infração e constar junto com o auto de infração, além de campanhas. Pretendemos falar sobre o uso adequado. Precisa atender o telefone, procure um local de parada para a sua segurança e os demais”, afirma.

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