Um pequeno território provocando grandes abalos
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terça-feira, 07 de setembro de 1999
Por Kevin Costelloe 
Jacarta, 08 (AE-AP) - Um pequeno território no fim do mundo, Timor Oriental está provocando tremores na gigantesca Indonésia e afetando a política global.
Por anos, Timor Oriental foi um dos mais esquecidos conflitos do mundo, apesar de maciços abusos dos direitos humanos na região, apenas uma hora de vôo da Austrália.
Militares indonésios marcharam para a província em 1975 e promoveram um banho de sangue no qual mais de 200 mil pessoas morreram nos próximos 25 anos.
Ativistas desapareceram, pais nunca voltaram das prisões, e o medo silenciou o povo do território devoto da Igreja católica.
Ainda assim, os pedidos de socorro não chamaram a atenção até que dois ativistas timorenses orientais ganharam o Prêmio Nobel da Paz em 1996.
Agora, Timor Leste está recebendo atenção mundial, enquanto suas humildes casas são queimadas e seus residentes fogem. O conflito tem levantado questões sobre se as Nações Unidas, que nunca reconheceu a anexação por parte da Indonésia da antiga colônia portuguesa, podem conduzi-lo para a completa independência.
Cada vez mais, os tremores são sentidos em toda a Indonésia, o quarto país mais populoso do mundo e a guardiã de importantes linhas marítimas no Oceano Índico.
Apesar de ser improvável que a violência expulse o presidente B.J. Habibie do cargo antes de que o próximo presidente seja escolhido em novembro, a crise poderia deixar a mais populosa nação islâmica do mundo sem uma forte liderança num momento crítico.
Habibie cancelou planos de atender a uma importante reunião de cúpula na Nova Zelândia - talvez lembrando que a ausência de seu predecessor, Suharto, do país pouco antes de ele ser afastado do poder no ano passado.
O Timor Leste tem sido um grande peso econômico para a Indonésia, que jogou dinheiro desesperadamente necessário na região para construir sua infra-estrutura.
Em um dos poucos sucessos econômicos, a popular cadeia de café Starbucks é uma das que usam grãos do Timor Leste.
A exportação poderia crescer ainda mais, se a falta de lei ao redor das plantações nas montanhas centrais de Timor seja substituída pela paz e estabilidade.
Vendas de grãos arábicos organicamente crescidos para os Estados Unidos e outros países ocidentais devem trazer mais de US$ 20 milhões este ano.
Entretanto, as imensas reservas de petróleo e gás natural na bacia entre Timor Leste e a vizinha Austrália devem formar a espinha dorsal da esperada nova nação.
Existe preocupação sobre se Timor Leste poderia provocar o aumento dos distúrbios em duas outras províncias da Indonésia, e eventualmente inspirar movimentos de secessão em outras parte da Bacia do Pacífico.
A Indonésia é formada por 13.000 ilhas e centenas de grupos étnicos.
A incapacidade de Jacarta de controlar a situação em Timor Leste, que ameaça transformar a Indonésia num pária internacional, poderia também comprometer a recuperação econômica do país.
O Banco Mundial advertiu hoje a Indonésia de que seu fracasso em resolver o caos poderia ameaçar ajuda financeira prometida em julho último.
A crise também tem colocado a administração Bill Clinton numa posição delicada, como a única superpotência do mundo e o país que teria de endossar - apesar de não necessariamente participar - de um força de paz da ONU.
Funcionários da administração Clinton rechaçam sugestões de congressistas republicanos de que não existe um interesse direto dos EUA em Timor Leste.
O porta-voz do Departamento de Estado, James Rubin, citou as linhas marítimas e o comércio internacional através da região como exemplos contrário.
"À medida que Timor Leste afeta a estabilidade da Indonésia, ele desta forma afeta a das linhas marítimas", disse Rubin.
"Mais importante - ou sem classificar isto - existe um claro componente dos direitos humanos".


