Adenésio ZanellaCultura internacionalEscola leciona todas as disciplinas em francês: crianças se tornam poliglotas ao dominar com perfeição o espanhol, português, inglês e o árabe, além do francês’’- L’ecóle et college Victor Hugo, bon jour!’’. A saudação em francês é estranha, na verdade estranhíssima, se levarmos em consideração que a escola fica em Ciudad del Este, Paraguai. As cores da bandeira são as mesmas: branco, vermelho e azul. A diferença é que na bandeira francesa as listras estão na posição vertical e na do Paraguai, na posição horizontal.
L’ecóle et college Victor Hugo é uma pequena escola com 130 alunos que começou a funcionar há 10 anos. Tudo começou com Madame Dominique Michel, uma francesa que queria que os 2 filhos fossem educados como nas escolas francesas. Ela começou a ensinar os filhos e outras 2 crianças.
Um ano depois chegou a atual diretora da escola, Madame Marie Claude Rambert. Natural de Clermont-Ferrand, uma cidade do interior da França, Madame Marie Claude, já morou em vários países da África, onde dirigiu escolas francesas.
O programa adotado na escola e o calendário seguem o sistema francês. As aulas começam em setembro e não em março. Outra diferença é que a cada 7 semanas de aula, os alunos descansam uma. ‘‘Assim diminuímos o tempo de férias, para evitar que eles fiquem muito tempo parados’’, justifica Madame Marie Claude.
A escola aceita alunos desde o maternal - crianças com 2 anos - até o último ano do 2º grau. Todas as aulas são em francês. O currículo é elaborado pelo Ministério da Educação da França.
O Ministério também verifica a qualidade do ensino. Tanto que a cada 15 dias, as tarefas feitas pelos alunos são enviadas para a França, onde são corrigidas, assim como as provas.
Até os papéis em que as tarefas e as provas são feitas vêm da França. A maioria dos professores também é contratada diretamente do país europeu. No Paraguai, só existe outra escola como essa em Assunção.
Adenésio ZanellaDiretora e aluna de 8 anos que já aprendeu quatro idiomas estrangeiros
Nathalie Lemoine, 18 anos, é um dos poucos alunos franceses que estudam na escola. A garota, que está terminando o 2º grau, fala, além do francês, o inglês, o espanhol e o português com perfeição.
A maioria dos alunos da escola francesa são filhos de comerciantes árabes, chineses, coreanos e paraguaios que têm negócios em Ciudad del Este. Mas pelo menos metade dessas crianças mora em Foz do Iguaçu.
Estrela Han, de apenas 8 anos, já sabe falar outros 4 idiomas, além do coreano, a língua dos pais. Resultado dos 6 anos em que estudou na escola. A garota também está aprendendo o árabe.
Na escola francesa, o inglês é obrigatório depois dos 5 anos de idade, enquanto o espanhol e o português têm que ser estudados no colegial. O árabe entra como língua opcional. ‘‘E a partir de setembro estaremos introduzindo o guarani também.’’
O currículo da escola é aceito normalmente na França - é como se o aluno estivesse estudado lá. Para a validade no Paraguai é preciso passar por um programa de adaptação que inclui, além das aulas de espanhol, as disciplinas de história, geografia e estudos sociais referentes ao Paraguai.
Madame Marie Claude planeja agora abrir uma escola como essa em Foz do Iguaçu. O preço da mensalidade da ‘‘L’ecóle et college Victor Hugo’’ é de US$ 150 dólares. Os alunos entram às 8 da manhã e saem às 14 horas, com direito a almoço.

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