Moscou, 14 (AE-ANSA) - O segundo atentado em quatro dias contra um edifício em Moscou causou mais de 100 mortes, desatou uma psicose na cidade e deixou uma pergunta sem resposta definitiva até agora: como os terroristas obtêm tantos explosivos.
Calcula-se que no atentado de segunda-feira, que derrubou um prédio de escritórios ladrilhado, foram utilizados 200 quilos de explosivos. O cálculo para o caso do atentado de quarta-feira passada, com um saldo de 93 mortos e centenas de feridos, fala sobre 350 quilogramas de explosivos.
O ministro de Interior russo Vladimir Rushailo informou que outros 3.800 quilos de explosivos (quantidade suficiente para explodir um bairro inteiro) foram encontrados pela polícia em um depósito clandestino.
A imprensa moscovita parece não ter dúvidas a respeito da procedência de tamanha quantidade de explosivos. A mistura de explosivo exógeno e trotil empregada em ambos os atentados, conhecida pelo nome de ciclonita e mais poderosa que a dinamite, só pode ser proveniente, segundo especialistas citados pela imprensa, dos depósitos do antigo Exército Vermelho.
Sabe-se há tempos que na Rússia, onde a corrupção generalizada chegou também aos escalões militares - cujos soldos são simbólicos -, pode-se obter diretamente ou em ambientes criminais e mafiosos todos os tipos de armas, desde fuzis AK-47 até mísseis e explosivos.
A mortífera mistura de explosivo exógeno e trotil, segundo especialistas, é difícil de ser obtida por métodos artesanais e só duas fábricas a produzem, de onde o explosivo sai encapsulado em bombas, projéteis de artilharia ou mísseis. Todos esses "produtos" podem ser comprados no mercado russo da corrupção, dizem os especialistas.
Segundo a imprensa moscovita, o transporte de grandes quantidades de explosivos também não é problemático, pois um cuidadoso controle dos caminhões que entram em Moscou pelo anel viário que rodeia a cidade provocaria a paralisação do trânsito na capital.

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