Um motim no Estado a cada três semanas
Cascavel - A última rebelião com morte em um presídio estadual paranaense havia ocorrido em 2010, na Penitenciária Central do Estado, em Piraquara, quando cinco presos foram assassinados em um motim que durou 18 horas. Mas a situação nas carceragens paranaenses, até a rebelião de ontem, já indicava que uma rebelião mais grave era questão de tempo. Um levantamento do Sindaspen aponta que, nos últimos 12 meses, pelo menos 18 motins, de menores proporções, foram registrados em diferentes regiões do Estado.
Neste período, segundo o sindicato, 24 agentes penitenciários foram feitos reféns pelos presos nas rebeliões, que ganharam mais força após o decreto do governo do Estado que determinou a transferência de presos das delegacias para as penitenciárias, aumentando os casos de superlotação das unidades prisionais da capital, onde a medida já foi implantada, e criando um clima de insatisfação no interior, onde a transferência deve ocorrer nas próximas semanas.
O presidente do Sindaspen, Antony Johnson, disse que a rebelião de Cascavel era uma tragédia anunciada. "Devido a falta de investimento no Sistema Penitenciário, não há profissionais tanto operacionais, como técnicos. Não há manutenção nas unidades. A rebelião já era ameaçada há semanas", disse. "Sem o investimento necessário, o Sistema sempre estará refém de crises como essa. O preso reclama que a comida esta ruim, que não há advogados para que seu processo ande, não há o mínimo de material de higiene, o efetivo de Agentes Penitenciários baixíssimo, todos esses fatores juntos, uma tragédia é mais que anunciada", acrescentou.
O sindicato prepara uma grande mobilização para amanhã em Cascavel, e também pretende realizar protesto na Assembleia Legislativa, em Curitiba, durante a sessão ordinária de terça-feira, no período da tarde. (R.P.)





