Um mês após morte de Olga, polícia aguarda últimos laudos para concluir inquérito
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terça-feira, 24 de julho de 2018
Fernanda Circhia <br> Grupo Folha 

Um mês após a morte de Olga Aparecida dos Santos, 51, a Polícia Civil ainda aguarda os últimos laudos para poder concluir o inquérito. Procurada pela reportagem, a delegada Geanne Timóteo da Delegacia da Mulher, afirmou na manhã desta terça-feira (24), que os laudos ainda não estavam prontos.
Na última sexta-feira (20), a promotora Susana Broglia Feitosa de Lacerda assinou uma manifestação de perda de interesse recursal em relação a novos pedidos de prisão dos envolvidos no caso. "Isso porque, em que pese o Ministério Público tenha indicado, tempestivamente em 2 de julho de 2018, irresignação quanto à revogação da prisão preventiva de Antônia Helena Garcia [cunhada da vítima] e substituição daquela por prisão domiciliar a Luiz Reis Garcia, sobrevieram informações que alteraram a situação prévia e, como consequência, ocasionaram a perda do interesse recursal no presente momento."
Na manifestação, o "Ministério Público [MP] esclarece que o prazo para término das investigações policiais, tendo por base restar um dos acusados preso, já se esgotou, nos termos do artigo 10, do Código de Processo Penal". Isto porque ainda faltam informações complementares do laudo de necropsia a serem respondidas pelo IML (Instituto Médico-Legal) de Londrina, resultado de exames toxicológicos pelo IML de Curitiba, resultado de laudo de confronto genético das amostras de sangue colhidas e perícia criminal nos bens apreendidos.
"Sendo assim, ponderando-se a necessidade de finalização das diligências acima pontuadas e o direito do acusado à celeridade e prioridade de trâmite das investigações caso se encontre em situação prisional, o que não é possível frente a complexidade das pendências e a demanda do IML e do Instituto de Criminalística, que acarreta em maior lapso temporal para seus encerramentos, o Ministério Público manifesta-se pela revogação da prisão domiciliar do acusado Luiz Reis Garcia, substituindo-a apenas por monitoração eletrônica", diz trecho da manifestação.
Na mesma data, a juíza Zilda Romero deferiu o pedido da promotoria e concedeu liberdade provisória para Antônia e prisão domiciliar para Luiz.
Laudos
No último dia 13, Geanne afirmou que questionou algumas informações à perícia do IML em relação aos cortes encontrados no abdômen de Olga. Na ocasião, ao ver o laudo, foi constatado que os cortes estão nos mesmos locais de onde foi feita uma cirurgia bariátrica dias antes de morrer. Um laudo divulgado no último dia 29, apontou que a queda de Olga foi responsável por sua morte. No entanto, apontou também que ela foi agredida antes de morrer. Na ocasião, a delegada afirmou que além dos cortes no abdômen devido a cirurgia, havia também feridas feitas por objeto cortante em outras partes do corpo. Além disso, o laudo apontou que a vítima sofreu esmagamento de crânio.
Em nota de esclarecimento, o advogado dos filhos de Olga, Clayton Rodrigues, afirmou que o laudo psicológico emitido em razão da cirurgia realizada dias antes, merece destaque por ter concluído que Olga mantinha estado emocional e comportamento adequado, ou seja, "não aponta qualquer indício de descontrole psíquico/emocional". "Soma-se a tudo isso os relatos dos vizinhos que ouviram pedidos de socorro e demais circunstâncias colhidas no dia, dando a entender a existência de possível luta naquela ocasião", afirmou em trecho da nota. "Diante disso, a família permanece inconformada com a trágica ocorrência da morte de Olga, e espera a elucidação do caso o mais breve possível", pontua Rodrigues.
Já um dos advogados de Luiz Reis Garcia, Marcelo Gaya, afirmou que estão aguardando esses últimos documentos e esperam que confirmem a inocência deles ainda em fase de inquéritos. "Eles estão tentando retomar a vida deles. Foi muito difícil para os quarto terem sido expostos no começo da investigação do caso. Está sendo difícil para ambas famílias. Esperamos que tudo se resolva o mais rápido possível para que todos possam seguir suas vidas. Mas temos certeza de que no final vão demonstrar de que realmente são inocentes. A polícia e a perícia estão analisando realmente e estão em busca da verdade real."
O caso
A PM (Polícia Militar) foi acionada na tarde de 24 de junho para atender um chamado de um suposto suicídio em um prédio no centro de Londrina. No entanto, em seguida, a suspeita passou a ser tratada como possível feminicídio. Olga tinha 51 e foi encontrada morta após vizinhos presenciarem uma briga entre ela e o marido, Luiz Garcia, de 65 anos. Estavam presentes os parentes do marido, que teriam sido chamados para auxiliar a discussão do casal.
Em um primeiro momento, a Justiça havia decretado a prisão preventiva de Luiz Garcia, mas a juíza Márcia Guimarães Marques determinou o uso de tornozeleira eletrônica por causa de seus problemas de saúde.


