Na sua prova inicial, ainda durante a campanha eleitoral, o prefeito Nedson Micheleti (PT) correu por fora e surpreendeu seus adversários com um poderoso ‘‘sprint’’ final que lhe garantiu o posto de prefeito de Londrina. Agora, ele disputa a corrida não mais contra adversários políticos, mas concorrendo com os problemas comuns a toda cidade do porte de Londrina.
Numa pesquisa informal nas arquibancadas – ou seja, nas ruas – londrinenses ressaltaram as qualidades do ‘‘jóquei’’ mas, em contrapartida, opinaram que o cavaleiro poderia ter imprimido maior agilidade à prova.
As reclamações, invariavelmente, recaem sobre a má conservação de praças, ruas e bueiros, deficiência na iluminação pública, falta de equipamentos sociais para crianças e adolescentes e aumento da criminalidade – embora este último tema não seja responsabilidade direta do Poder Municipal, a comunidade exige que sejam encontradas formas – e gestão política – para combatê-la.
Gente como Wagner Evangelista dos Santos, que sozinho e quase sem nenhum incentivo, dá aulas diárias de futebol de salão a 80 crianças, entre meninos e meninas na região dos Cinco Conjuntos, uma das mais violentas da cidade. O rapaz afirma que para comprar as bolas, redes e coletes para os treinos, precisa fazer rifas ou contar com a boa vontade de alguns poucos empresários que se dispõem a ajudar. Nedson admite que os bairros ficaram esquecidos e faz um ‘‘mea culpa’’, dizendo que não dava para equilibrar as contas e ainda reformar a cidade.
Entre lideranças locais ouvidas pela Folha, o sentimento é basicamente o mesmo. O prefeito teve o mérito de recuperar a ‘‘saúde’’ da Prefeitura, mas faltou fôlego para chegar com um ritmo mais forte ao final de 2001 e começar esse ano com projetos mais consistentes. Faltou traquejo, apontam, para captar recursos para cidade.
A imagem que marcou negativamente a corrida, segundo as fontes ouvidas e o próprio prefeito, foi a tentativa de recuperação do Lago Igapó 2. O obstáculo ‘‘complicou’’ a avaliação do prefeito e a expectativa é que ele consiga transpô-lo nesse início do ano, devolvendo repaginado à cidade um dos seus principais cartões-postais.
Oito meses depois de esvaziado, o saldo da iniciativa até o momento foi a insatisfação generalizada, um secretário de Obras – que era também vice-prefeito – exonerado, uma empresa desistente, alegando falhas no projeto básico, e uma ação na Justiça que investiga se houve crime ambiental. Além disso tudo, o episódio rendeu uma piadinha que correu a cidade, quando o lamaçal em que se transformou o Igapó foi ‘‘decorado’’, dias atrás, com o ‘‘monstro do lago Nedson’’.
Outra iniciativa que afetou a popularidade do prefeito no primeiro ano foi a tentativa de venda da Sercomtel Celular, rejeitada num plebiscito pela população. Plebiscito, aliás, que Nedson Micheleti tentou evitar ao máximo. Para esse ano, espremido pela campanha eleitoral, o prefeito adianta que terá cerca de R$ 20 milhões para gastar na ‘‘arrumação da casa’’.

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