Salvador, 21 (AE) - Um índio quiriri foi morto a tiros e outro saiu ferido nas pernas num ataque promovido por dois homens encapuzados ontem à noite na Aldeia dos Araças, situada no município de Banzaê, a 270 quilômetros da capital baiana. O crime é mais um capitulo no conflito pela posse da terra, envolvendo posseiros e facções de índios rivais, que já dura vinte anos, na Reserva Quiriri de 12 mil hectares.
Segundo as informações apuradas pelo delegado Celso Lima
de Ribeira do Pombal, vizinho a Banzaê, o índio José Domingos de Jesus, de 17 anos, conversava na porta de casa com os amigos José Naílton Souza Silva e Ademário Andrade quando chegaram os dois desconhecidos mascarados que, sem dizer uma palavra, dispararam contra o grupo, provavelmente com rifles calibre 44. Jesus morreu, Silva foi atingido nas duas pernas e Andrade escapou ileso do ataque. Transportado para o Hospital Clériston Andrade, de Feira de Santana, onde foi medicado, Silva disse aos policiais desconfiar que os assassinos pertencem ao grupo do cacique Lázaro, adversário da facção comandada pelo cacique Manuel, da qual os três quiriris atacados fazem parte.
O delegado Lima iria iniciar a investigação do crime hoje à tarde e preparava o transporte de trinta policiais civis e militares à Aldeia dos Araças com objetivo de manter a segurança no local.
Os dois mil índios quiriris reclamam a posse das terras da reserva, onde existe um cemitério considerado sagrado, há décadas, informando haver referências sobre a tribo na área em documentos de 1700. No final dos anos 80, quando a reserva foi finalmente demarcada pelo governo, foram encontrados mil posseiros instalados nas terras indígenas. Os últimos 12 anos tem sido marcados pelas tentativas de retirar os colonos da área e briga das duas facções de quiriris pelo controle de áreas maiores dentro da reserva.
A maioria dos posseiros já saiu, mas uma pequena parte continua reivindicando indenização da Funai e no início do ano destruiu dois veículos do órgão como protesto pelo atraso.

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