Um homossexual é morto a cada 48 horas
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sábado, 22 de janeiro de 2005
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Um recorde mundial do qual o Brasil não pode se orgulhar: a cada 48 horas, um homossexual é assassinado no País. O combate à violência e à homofobia discriminação contra o homossexualismo é a principal bandeira do movimento gay brasileiro. O tema está sendo discutido no 1º Congresso da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Travestis (ABGLT), que reúne, em Curitiba, representantes de 164 grupos gays do País. O evento comemora os 10 anos de criação da entidade e se propõe a fazer um balanço das políticas nacionais voltadas para os homossexuais.
O deputado federal Fernando Gabeira (sem partido) participou, ontem, do congresso, falando sobre ''Desejos, Ousadias e Perspectivas para um Brasil Sem Homofobia'', tema de sua palestra. Para ele, que lidera a frente parlamentar para a livre expressão sexual na Câmara dos Deputados, a discriminação tem que ser combatida com campanhas educativas, principalmente, nas escolas. ''A homofobia não é só humilhação, sofrimento. Existe morte'', alertou.
Gabeira concorda que o governo federal já deu um importante passo ao instituir o Brasil Sem Homofobia Programa de Combate à Violência e à Discriminação contra Gays, Lésbicas, Travestis, Transgêneros e Bissexuais (GLTB). Também considera importante o reconhecimento da união entre homossexuais, por exemplo, pela Justiça do Rio Grande do Sul, prefeitura do Rio de Janeiro e Radiobrás. Esses dois últimos órgãos pagam benefícios, como pensão, para parceiros homossexuais.
O deputado espera que este ano seja colocado em votação o projeto da ex-deputada federal Marta Suplicy (PT), que trata do reconhecimento da união civil entre homossexuais. ''Não é só a questão do projeto ser aprovado. Vai permitir que a sociedade discuta e, com isso, vá avançando a consciência social sobre o tema'', declarou.
Gabeira compara o processo de reconhecimento dos homossexuais à abolição da escravatura. Como agora, na época da escravidão já havia leis em defesa dos negros, antes mesmo da conquista da liberdade, relembrou. ''Acho que esse é caminho. Ir comendo a resistência pelas bordas'', disse.
Luiz Mott, fundador do primeiro grupo gay do Brasil, na Bahia, defende que se dê à discriminação, o mesmo tratamento dado ao racismo. Para ele, os homossexuais ainda estão longe de ter os mesmos direitos dos negros.
Em relação à homofobia, Luiz Mott partilha da mesma opinião do deputado Gabeira. ''Criar uma cultura de tolerância para que a sociedade não veja o homossexual como alguém que deva ser assassinado'', desabafou o ativista.


