Islamabad, 07 (AE-AP) - Isolado do mundo e inundado de armas e drogas, o Afeganistão uma vez mais mergulhou numa crise provocada por um punhado de homens irados e com armas.
O sequestro no domingo de um vôo da Ariana Airlines foi o último sinal do turbilhão no qual o empobrecido país da ásia Central está envolvido desde o final da década de 70.
Depois de mais de 20 anos de uma guerra persistente, o Afeganistão é um país falido que rotineiramente gera terrorismo, tráfico de drogas e caos. Apesar de ter sido isolado internacionalmente, os repetidos tumultos no Afeganistão têm o hábito de espalharem-se rapidamente para bem além de suas fronteiras.
A governante milícia Taleban, com sua rígida interpretação da lei islâmica, tem sido marginalizada por quase todas nações desde que assumiu o controle da maior parte do país em 1996. A milícia também ganhou o ódio dos EUA e sanções da ONU por abrigar o suposto terrorista saudita Osama bin Laden.
A economia está em frangalhos, exceto pelos férteis campos de papoula que tornaram o Afeganistão o maior produtor de heroína do mundo.
O país tem sido severamente enfraquecido por causa dos milhões de refugiados que fugiram nas últimas duas décadas, incluindo a grande maioria de sua classe educada e seus trabalhadores mais bem dotados.
Com sua dura repressão contra seus oponentes, o Taliban praticamente conseguiu pôr fim à anarquia que era a norma antes de ele tomar o poder. Hoje, existe um semblante de ordem em muitas partes do país.
Mas o Taleban permanece preso num impasse militar com bem armados grupos de oposição nas grandes montanhas nortistas do Afeganistão. Fronteiras desguarnecidas têm permitido a entrada de grande quantidade de armas no país, garantindo a continuidade do banho de sangue.
Esforços internacionais para isolar o Taleban têm deixado o grupo sem amigos, mas não tem evitado o transbordamento da desordem do Afeganistão.
Sanções da ONU impostas em novembro impedem que a Ariana, a única linha aérea comercial do país, de voar rotas internacionais, e outros países têm desde então tirado o Afeganistão de seus itinerários.
Ainda assim, desde então o Afeganistão foi centro de dois sequestros internacionais - um levado para o país e o outro saindo dele.
Em dezembro, pistoleiros não identificados capturaram um avião da Indian Airlines e o desviaram para a cidade sulista afegã de Kandahar, uma crise que o Taliban estava mal preparado para enfrentar.
Depois de oito tensos dias, os sequestradores receberam permissão para desaparecer no deserto do sul afegão, e acredita-se que eles cruzaram para o vizinho Paquistão.
No domingo, outro grupo de misteriosos pistoleiros tomaram um avião, desta vez um vôo da Ariana que faria uma curta viagem da capital, Cabul, para a cidade nortista de Mazar-e-Sharif. Ao invés disto, o avião foi levado numa audaciosa rota para o Usbequistão, Casaquistão, Rússia e Grã-Bretanha.
"Estamos pedindo ajuda ao mundo", afirmou Faiz Ahmed Faiz, um porta-voz do Ministério do Exterior do Taleban, depois do início do sequestro.
O Taleban condenou os dois sequestros, que criaram dor-de-cabeça para um movimento já atolado em problemas de segurança. O sequestro é apenas um de vários problemas não resolvidos, e as perspectivas de maior estabilidade no Afeganistão parecem sombrias.
O Afeganistão raramente aparecia no noticiário internacional até que a União Soviética invadiu o país em 1979, numa tentativa de escorar um cambaleante governo comunista.
Do dia para a noite, a remota e empobrecida região tornou-se um grande campo de batalha da Guerra Fria. Rebeldes islâmicos que resistiam à ocupação soviética receberam bilhões de dólares em armas dos Estados Unidos, e uma brutal guerra de guerrilhas arrasou o Afeganistão, deixando cerca de um milhão de pessoas mortas.
Quando a União Soviética se retirou em 1989, o Afeganistão desapareceu das manchetes, mas a desordem continuou. As guerrilhas islâmicas voltaram-se então umas contra as outras depois que derrubaram o regime comunista em 1992.
As facções reduziram Cabul a ruínas e dividiram o país numa colcha de retalhos até que o Taleban capturou a capital em 1996.

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