Um 'fiozinho' de esperança
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sábado, 02 de abril de 2005
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
''Cada vez que o telefone toca, levo um susto e me dá um frio na barriga. Você já está esperando, mas não quer que aconteça...''. É assim que Cleonice Pontes Leonardo, de 45 anos, resume o drama que vive, com o marido, José Leonardo Sobrinho, de 56 anos, internado na UTI do Hospital Universitário (HU), em Londrina.
Na UTI, conta Cleonice, ele está internado há cerca de 15 dias em estado de coma induzido. Mas, foi há dois anos e meio que começaram as idas e vindas de internações no hospital. Desde então, a vida não foi mais a mesma, ela parou de trabalhar e o filho de 14 anos passou a ver menos a mãe. ''Meu marido teve um derrame cerebral em outubro de 2002, uma convulsão e no ano passado também foi detectado lupus. Em todo esse tempo, ele teve períodos de melhora, mas também fases bem difíceis em que não conseguia andar, falar ou reconhecer as pessoas'', lembra.
Cleonice conta que nos últimos dois anos o marido passou mais tempo no hospital que em casa, em internação domiciliar. ''Vivo só em função dele'', conta. Ela confessa que chegou a pedir aos médicos que o marido não fosse entubado: ''É tanto sofrimento...'', mas reiterou: ''falei para fazer o que for melhor para ele''.
Apesar da esperança, Cleonice sabe que o marido tem poucas chances de sobrevivência. ''Não penso no futuro. Enquanto tiver um 'fiozinho' de esperança eu vou lutar. Sei é que fiz o que pude por ele''. (C.P.)


