Um em cada três denunciados nas operações da PF é delegado
Rio- Um em cada três denunciados pelo Ministério Público Federal (MPF) em cinco operações realizadas pela Polícia Federal no Cerol, Planador e Furacão 1, 2 e 3 - é policial federal e, destes, um em cada três é delegado da corporação. Nas cinco investigações, foram denunciadas 182 pessoas, sendo 55 funcionários da PF (30,2% do total) e, entre esses, 16 delegados (29% dos policiais).
Anteontem, na Furacão 3, foram presos os delegados Osvaldo da Cruz Ferreira e Flávio Furtado, o escrivão Carlos Araújo Lima e o agente Sebastião Monteiro. As acusações contra eles vão da ''venda'', a acusados, do resultado de inquéritos ao vazamento antecipado de informações sobre ações policiais, detectados em interceptações telefônicas e até escutas ambientais feitas com autorização pela Justiça.
Em uma delas diziam: ''Vai ter uma ventania''', relatou o procurador da República Orlando Monteiro, do Grupo de Controle Externo das Atividades Policiais do MPF no Rio. '''Ventania' era operação da PF. Ou então os inquéritos não andavam ou tinham relatório tendencioso. Obviamente, isso tinha um preço.''
A Operação Cerol investigou corrupção envolvendo crimes previdenciários; a Planador, a emissão ilegal de passaportes; e as três Furacão, a ação da máfia de bingos e caça-níqueis no Rio, inclusive a venda de sentenças e corrupção de policiais. A Operação Furacão começou a partir de uma denúncia de suposta tentativa de extorsão ocorrida na Delegacia de Polícia Fazendária (Delefaz) da PF no Rio.
A juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, da 6 Vara Criminal Federal, expediu hoje à tarde os alvarás de soltura para todos os beneficiados pela decisão do ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a libertação de todos os presos na Furacão 1.
Esperava-se, porém, a libertação de apenas oito denunciados. Outros 11 réus deveriam continuar presos, por causa de outros processos em que também tiveram prisão decretada. O 20º beneficiado é Marcelo Kalil, que até a decisão de Mello era considerado foragido.





