Londrina – Ao menos uma vez por mês, o aposentado Francimar Alves da Costa, de 50 anos, procura a Unidade Básica de Saúde (UBS) do Jardim Marabá, zona leste de Londrina, para retirar os remédios que usa no tratamento contra a hipertensão arterial. Quando as crises aparecem, a frequência das visitas ao posto aumenta. Segundo ele, o problema de saúde foi identificado há dois anos. "Vai chegando perto dos 50 [anos] a coisa piora, tem que se cuidar mais, né?", conforma-se.
De acordo com pesquisa divulgada ontem pela Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), órgão ligado ao Ministério da Saúde, 24,8% da população brasileira adulta têm pressão alta. Os pesquisadores entrevistaram, por telefone, 40.853 pessoas maiores de 18 anos nas capitais brasileiras. As mulheres são maioria. Entre as entrevistadas, 26,8% responderam sofrer de hipertensão arterial. Já entre os homens, a taxa cai para 22,5%.
O estudo confirma a percepção de Francimar. Quanto mais avançada a idade, maior as chances de sofrer com a pressão alta. No grupo de pessoas entre 18 e 24 anos, apenas 4,6% disseram sofrer com a doença. Na faixa etária de Francimar, de 45 a 54 anos, o percentual de hipertensos já sobe para 32,6%. No último grupo, acima de 65 anos, quase 60% das pessoas declararam ter pressão alta. "A resistência periférica diminui conforme o avanço da idade. É preciso redobrar os cuidados", alertou a enfermeira coordenadora da UBS do Marabá, Josiane Nunes Maia.
Porto Alegre é a capital com mais hipertensos do país. No ano passado, 29% dos moradores da capital gaúcha disseram sofrer da doença. Outras capitais que chamam atenção pelo alto índice são Recife, Rio de Janeiro e Maceió, com 28%. A situação é bem mais confortável em Palmas, onde apenas 15% da população adulta é hipertensa. Com 23% de hipertensos adultos, Curitiba aparece em uma zona intermediária, ao lado de Florianópolis (23) e São Paulo (25).

REDUÇÃO?
Dados da Secretaria de Estado de Saúde do Paraná, que abrangem todo o Estado, mostram redução do número de internamentos por Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS). Em 2008, ocorreram 8.520 internações contra 6.185 em 2011. Os dados são do estudo Linha Guia de Hipertensão Arterial, do ano passado. Segundo a enfermeira Josiane, as pessoas têm tido acesso a mais informações nos últimos anos, mas existe uma dificuldade de mudar os hábitos. "É difícil abandonar, por exemplo, um tipo de alimentação, que o acompanha durante toda a vida. Mas o paciente tem que entender que só o medicamento não resolve o problema".
De acordo com a Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH), o quadro pode ser muito maior. Isso porque estima-se que 50% das pessoas com pressão alta desconhecem a doença. A SBH ressalta a importância da aferição da pressão com regularidade e da conscientização da população. Iniciativas preventivas geram benefícios e custos menores do que outras intervenções necessárias para controlar a elevação da pressão arterial, tanto para pacientes quanto para o governo", afirma Roberto Franco, presidente da Sociedade.

mockup