Um em cada cinco jovens toma estimulantes
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terça-feira, 13 de novembro de 2012
Lúcio Flávio Moura <br>Reportagem Local 
Londrina - Estudo do Centro de Referência em Saúde do Homem, órgão da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, aponta que um quinto dos homens entre 25 a 35 anos já utilizaram estimulantes sexuais sem prescrição médica. A pesquisa envolveu 300 pacientes durante um mês.
O uso de medicamentos como Viagra e Cialis - prescritos pelos médicos para pacientes que sofrem de disfunção erétil (mais comum para homens com mais de 60 anos) - para ''uso recreativo'' ainda não é tema de nenhuma campanha oficial, mas assusta os médicos.
Um deles é Calvino Coutinho Fernandes, que também é psicólogo. Ele acredita que, além dos riscos cardiovasculares informados nas bulas, a prática pode ser uma verdadeira armadilha na vida sexual. ''Há o risco do remédio se tornar uma muleta para o sexo. E uma muleta que ele vai precisar cada vez mais'', compara, referindo-se à dependência psicológica que ele percebe nos pacientes.
Fernandes afirma que as primeiras experiências do uso recreativo podem ser positivas em decorrência do chamado efeito placebo, o que pode desencadear a ''ansiedade de desempenho'' a médio prazo.
''O vínculo do sexo com o estimulante pode ser nocivo à medida em que o objetivo original, o prazer, passa a ficar em segundo plano. O objetivo passa a ser apenas o desempenho'', explica. A responsabilidade de apresentar uma performance melhor com o estimulante, acrescenta Fernandes, gera um quadro de ansiedade que pode comprometer a vida sexual.
O coordenador de Urologia do centro paulistano que fez a pesquisa, Cláudio Murta, explica que o uso dos estimulantes sem necessidade pode ser uma prática muito perigosa, com consequências como cegueira definitiva e morte, no caso dos pacientes cardíacos.
Murta alerta que o uso indiscriminado dos estimulantes tem aumentado. ''Há bastante tempo, desde que foi lançado o Viagra, a gente sabe que existe este tipo de uso. Agora, com a quebra da patente do Viagra, a tendência é o problema aumentar, há um receio de que a coisa fique até pior'', disse.
A FOLHA conversou com um farmacêutico que contou que é mais comum pacientes jovens comprarem o remédio sem receita e que as vendas no final de semana cresce cerca de 40% . ''Eles fazem algumas perguntas sobre o uso associado a álcool ou qual é o tempo pra fazer efeito.'' Balconista há cinco anos, o atendente disse que a quebra da patente, ocorrida em 2010, fez a droga se popularizar. A versão genérica do Viagra com duas unidades pode custar menos de R$ 20. Já o Cialis custa cerca de R$ 80. ''É muito raro vendermos estes medicamentos com receita médica e para idosos'', revela.



