Os seis presos envolvidos na morte de Idemir Carlos Ambrósio, o Sombra, um dos líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC), serão indiciados por homicídio qualificado. ‘‘Os presos não deram chance para a vítima se defender e usaram requintes de crueldade’’, disse o delegado Roberto Martins de Barros, da Seccional de Taubaté. Sombra morreu ontem de manhã, durante o banho de sol, na Casa de Custódia de Taubaté. Seu corpo estava estendido no chão, com uma corda no pescoço.
Segundo o delegado Barros, Sombra recebeu socos, chutes e teve a cabeça batida contra grades de ferro e chão. Suspeita-se que o crime tenha sido praticado pelo próprio PCC, por divergências entre as lideranças.
Os responsáveis pela morte de Sombra haviam sido transferidos de outros presídios para Taubaté neste ano. Segundo a Secretaria da Administração Penitenciária, eles estiveram envolvidos de alguma forma com a megarrebelião organizada pela facção criminosa em 18 de fevereiro, que atingiu 29 unidades prisionais.
O próprio Sombra foi um dos principais responsáveis pelo motim. Ele chegou a ser condenado pela facção por quebrar regras do PCC após a megarrebelião. Entre as faltas graves estaria a permissão que presos e suas famílias fossem extorquidos por outros detentos, que rebeliões fossem feitas aos domingos -quando há mulheres e crianças nos pátios das penitenciárias - e permitir que presos fossem mortos diante de familiares.
Durante o motim, Sombra estava na Casa de Detenção, e foi transferido para Taubaté logo em seguida.
De acordo com a secretaria, tiveram participação direta no crime os presos Vinicius Brasil Nascimento, que estava no Centro de Observação Criminológica, na zona norte da cidade, e foi transferido em março deste ano; Luciano Fernandes da Silva, transferido de Mirandópolis (607 km de SP) em maio; e Carlos Magno Vito Alvarenga, que saiu de Presidente Venceslau (620 km de SP) para Taubaté em abril.
Tiveram participação secundária Wilson Vitor Huchek, transferido do Paraná no mês passado; Fernando José Januário, que saiu de Iaras (282 km de SP) em maio; e Alex Aparecido Olimpia, transferido de Álvaro de Carvalho (425 km de SP) em abril.
A secretaria apontou ainda três presos que foram testemunhas do caso: Wilson da Silva e Emerson Souza de Almeida, que vieram do Paraná, e Roberto Carlos Martins, que estava no Centro de Detenção Provisória do Belém, zona leste da cidade. Os três foram transferidos para Taubaté em junho.

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