Um domingo de arte e festa na comunidade
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domingo, 24 de julho de 2016
Simoni Saris<br> Reportagem Local
A arte, como linguagem universal, assume um papel transformador quando consegue promover a integração entre diferentes públicos e permite olhares diversos sobre uma mesma realidade. Foi o que se viu neste domingo (24), durante a terceira exposição fotográfica da série Cores do Gueto, do repórter fotográfico da FOLHA Gustavo Carneiro, que aconteceu no Jardim Marieta (zona norte).
Ao transportar a sua arte para o universo retratado, muito além das quatro paredes de uma sala de museu, o fotógrafo transformou seu trabalho em arte viva e vibrante e mostrou à comunidade e aos visitantes que cotidianos frequentemente marcados por carências e desejos não satisfeitos também podem ser plenos de beleza e de poesia.
Cercas e paredes das casas do assentamento deram espaço às 30 imagens selecionadas para a mostra, organizada pelo fotógrafo Jota Oshiro. A infância é retratada de diferentes formas em diferentes comunidades de Londrina e de outras cidades do País desde 2012. "O melhor foi ver a favela se unindo para ver a coisa acontecer", disse Gustavo Carneiro.
"É importantíssimo isso porque a galera que mora aqui não tem acesso às imagens. Eles não vão ao museu. Esse primeiro contato é importante. O acesso à informação nas comunidades pobres é mais restrito", observou o educador social e produtor cultural Leandro Palmerah. "É importante mostrar a cultura para a nossa comunidade", acrescentou a professora Michelle Praxedes. Casados, Leandro e Michelle desenvolvem projetos culturais no Residencial Vista Bela (zona norte).
O quintal da casa da porteira Maria Aparecida Cardoso recebeu sete das 30 imagens que integravam a mostra fotográfica. "Achei maravilhoso. Nunca fui a uma exposição. Nunca fui a um museu. Não por falta de oportunidade, mas porque nunca tive tempo mesmo", disse ela.
"Essa é uma forma de mostrar como a gente é para as outras pessoas que não têm conhecimento. Mostrar que aqui as crianças são felizes, independente das condições em que vivem", afirmou o pintor Paulo Domingos Carreli.
Casada com um fotógrafo, a assistente administrativo Barbara Colono conhecia o projeto Cores do Gueto, mas nunca tinha ido até o Jardim Marieta. "Achei muito legal a ideia de trazer as imagens para expor dentro da comunidade. Em um museu, dificilmente eles teriam acesso. De certa forma, a arte ainda é segregadora", reconheceu.
A exposição fotográfica aconteceu em meio a uma festa julina, que, assim como todas as ações da comunidade, só foi possível porque contou com a colaboração de cada morador. "Só tinha um pouco de dinheiro, cada um deu um pouquinho. Compramos os ingredientes e cada morador fez uma coisa para ser servida na festa. Um supermercado doou os refrigerantes", contou Lindinaldo Santos de Miranda, envolvido em projetos culturais do bairro.
Além dos quitutes, a ação solidária permitiu ainda o aluguel de uma cama elástica e uma piscina de bolinhas que garantiram a diversão para a criançada. O cabeleireiro Everton Wilson doou cortes de cabelo e o carroceiro Luciano Rodrigues Lopes desatrelou o cavalo Corcel da carroça e disponibilizou o animal para as crianças fazerem passeios. "Já perdi as contas de quantas viagens eu fiz, mas o importante é a diversão da criançada", comentou o dono do cavalo.