Imagem ilustrativa da imagem Um domingo atravessado por histórias
| Foto: Fotos: Saulo Ohara
Kiara Terra: "Todos têm histórias na vida. A história é feita de material" humano"
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Um público atento reuniu-se ontem à tarde para ouvir Kiara Terra contar a história de Obax: atividade interativa
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O garoto Zion, 7 anos, gostou da história: "As teorias dela (Kiara) são diferentes e adorei a história sobre o baobá. Não sabia que existia essa árvore."



Existem muitas formas de se contar uma história e há muitos lugares que podem servir de palco para uma narrativa. Para a contadora de histórias Kiara Terra, o melhor lugar é aquele onde há pessoas dispostas a ouvir e colaborar na construção do processo narrativo e a melhor forma é deixar que a própria história se desenvolva a partir das experiências de vida de cada um.
A travessia narrativa de Kiara é pontuada pelas perguntas que as histórias fazem e o público, generosamente, responde. O método, batizado por ela de "A História Aberta", pressupõe permeabilidade e se utiliza da improvisação, das técnicas de palhaço e de elementos de caráter biográfico, já que o ponto de partida de cada relato é a sua própria história. "Mas o que eu conto não é a minha história. Todos têm histórias na vida. A história é feita de material humano", diz a contadora. "Tenho um roteiro aberto. Se eu estiver contando a história da Branca de Neve e, de repente, uma criança fala ‘minha avó morreu’, a história dela vai ser muito mais interessante do que a minha e logo as pessoas não vão mais nem se lembrar do nome do anão."
Kiara formou-se atriz e há 19 anos trabalha com a palavra, escrita ou falada. Há sete anos atua na formação de professores tendo como base o método colaborativo que desenvolveu para contar cada uma das cerca de 40 narrativas que compõem seu repertório. A contadora também vem fazendo história no Encontro de Contadores de Histórias de Londrina (Ecoh). Nesta sexta edição do evento, Kiara ministrou a oficina "A Paixão pela Palavra" – ler, escrever e narrar para pertencer ao mundo, e narrou as histórias "Quem Inventou o Começo?", na quarta-feira (3), e "Obax – a coragem de inventar suas próprias histórias", apresentada neste domingo (7), na Vila Cultural Kinoarte, durante a festa "Quizomba: o samba e outros batuques".

UMA HISTÓRIA AFRICANA
Escrita por André Neves, a história narra as aventuras fantásticas vividas pela menina africana Obax em suas escapadelas noturnas. Obax vê uma pedra transformar-se em elefante e presencia uma chuva de flores, mas ao voltar para casa e relatar suas experiências, ninguém acredita. O enredo abre espaço para Kiara falar sobre o medo, a morte, a mentira, a saudade, as angústias. Não raro, a maneira propositalmente exagerada com que aborda temas delicados arranca risos da plateia. "Trabalho com a sensação das experiências inaugurais, muito ligadas à infância. É um espaço muito valioso porque estamos olhando todos para o mundo sempre como se fosse a primeira vez."
"Ela descreve a nossa casa, a nossa vida e o quanto a gente deixa de ouvir e entender as crianças por causa da nossa correria diária. Temos que prestar mais atenção às nossas crianças. A apresentação me tocou muito. Fiquei muito sensibilizada", disse a professora Rosângela Stabenow, que levou os filhos Maria, de 9 anos, e Carlos, de 11 anos, ontem, à Kinoarte, para ouvir Kiara. "Gostei da parte em que ela falou da morte porque eu sou muito ofensivo. Na maior parte das vezes a minha mente está pensando em brigas. A história dela me fez pensar e refletir sobre isso", comentou Carlos.
Zion, de 7 anos, foi um dos espectadores mais participativos e disse ter ficado admirado com a história e com a maneira como Kiara contou as aventuras de Obax. "As teorias dela (Kiara) são muito diferentes e eu adorei a história sobre o baobá (árvore nativa africana). Não sabia que existia essa árvore."

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