Um delicioso veneno
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domingo, 07 de agosto de 2005
Reportagem Local 
A batatinha frita da lanchonete sempre parece mais gostosa, não é mesmo? E o sorvete do mercado mais cremoso que o caseiro... Bem, existe uma razão para que os produtos industrializados pareçam mais saborosos e apetitosos: é a gordura trans. Esse tipo de gordura foi criada para aumentar a consistência e durabilidade de produtos como a margarina e o sorvete, para deixar os alimentos mais crocantes e para enriquecer o sabor de biscoitos, bolos e salgadinhos. O problema é que essa gordura traz grandes prejuízos para o coração.
Segundo o cardiologista Luiz Fernando Kubrusly, do Hospital VITA Curitiba, a gordura trans surgiu como uma opção para a gordura saturada, também prejudicial à saúde. ''Com o tempo, os pesquisadores perceberam que a gordura trans é muito pior do que a saturada. A saturada aumenta o colesterol ruim (LDL), mas não afeta o bom (HDL). Já a trans, além de também aumentar o colesterol ruim, diminui o bom'', afirma o médico. ''Pode-se considerar, inclusive, que a gordura trans é de três a cinco vezes pior que a saturada'', completa.
Além de trazer grandes prejuízos para o sistema cardiovascular, já existem pesquisas que indicam que o consumo de gordura trans pode estar relacionado a um aumento na incidência de câncer de mama. As mães também devem ficar de olho nas quantidades ingeridas pelas crianças, pois essa substância pode interferir na fabricação de outros óleos e gorduras que são importantes para o desenvolvimento de bebês e crianças.
A gordura trans existe na natureza, mas em quantidades mínimas, principalmente na carne vermelha e no leite. Nos produtos industrializados, em compensação, ela existe em abundância. ''Bolos, biscoitos (inclusive os de água e sal), salgadinhos, empanados, sorvetes, margarinas... a gordura trans pode ser encontrada nos mais diversos tipos de alimentos'', exemplifica a endocrinologista especializada em Obesidade, do Hospital VITA Batel, Karla Saggioro. É impossível, portanto, deixar de consumir a gordura trans; o que podemos fazer, salientam os especialistas, é reduzir seu uso o máximo possível, dando preferência aos óleos vegetais e gorduras poliinsaturadas e monoinsaturadas.
Há vários anos, organizações americanas como a Ban Trans Fats e Trans Free America vêm lutando contra as gorduras trans. No Brasil, por enquanto ainda é impossível saber qual a quantidade exata de gordura presente nos alimentos, mas a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já determinou que, a partir de 1º de agosto do ano que vem, as empresas devam especificar nos rótulos o teor de gordura trans de seus produtos. Dessa maneira, vai ficar mais fácil controlar o consumo. Por enquanto, o que se pode fazer é verificar os rótulos e procurar os ingredientes ''gordura hidrogenada'', ''parcialmente hidrogenada'', ''óleo vegetal hidrogenado'' e/ou ''parcialmente hidrogenado''. Se houver, cuidado: é gordura trans na certa.


