"Um Copo de Cólera", com Júlia Lemmertz e Alexandre Borges, estréia amanhã
São Paulo, 29 (AE) - É a segunda vez que Júlia Lemmertz e seu marido, o ator Alexandre Borges, interpretam as angústias e tensões do casal moderno. Fizeram a versão para teatro do roteiro do filme de Arnaldo Jabor "Eu Sei Que Vou Te Amar". Agora, fazem "Um Copo de Cólera", que Aluizio Abranches adaptou do cultuado livro de Raduan Nassar. "Interpretamos dois casais, na tela e no palco; as semelhanças terminam por aí", diz Júlia. Borges vai adiante na explicação: "A peça do Jabor é muito bonita, mas fala sobre o cotidiano de um casal que tenta reconstruir a vida; o filme do Aluizio é mais conceitual, porque o livro do Raduan também é; trata de idéias, do embate entre os sexos, da relação entre razão e emoção".
Nem ele nem Júlia haviam lido o livro quando foram convidados para fazer o livro. "Era uma falha da minha formação
admito", diz Júlia. Mas ela leu e se apaixonou. "É uma prosa tão rica, tão densa". Entregaram-se de corpo e alma ao projeto. O filme decola com cenas ousadas de sexo. Depois, vem o que muitos críticos chamam, brincando, de "sexo oral" - uma longa discussão em que os personagens expressam suas idéias, sempre tendo o sexo como eixo da discussão.
Tanto Júlia quanto Borges dizem que a segunda parte foi mais difícil. Abranches não procurava especificamente um casal para fazer o casal do filme, mas colou de os dois atores que ele escolheu serem casados na vida real. "Talvez por causa disso as cenas de sexo tenham sido mais fáceis, estamos acostumados", diz Júlia brincando. Mas não é porque eles são casados que Júlia e Borges chegaram ao set e foram fazendo as cenas de sexo na raça.
"Houve todo um trabalho de preparação", ela diz. "Aliás, o filme foi todo preparado", acrescenta Borges. Eles tiveram aulas de expressão corporal com a coreógrafa e bailarina Angel Viana. "Foi uma coisa mais complexa do que simplesmente nos preparar para as cenas de sexo: como temos longos planos-sequência em que a câmera evolui ao redor da gente, tivemos todo um trabalho de preparação da postura, da maneira de comportar-se e posicionar-se em cena", ele explica. Não foi só. "Também tivemos aulas com o diretor de teatro Tamar Correa para preparar nossa dicção", conta Júlia.
Borges explica: "O Raduan quase não tem pontuação, por isso tivemos de nos preparar, lendo e relendo o texto, buscando as palavras-chave, aquelas às quais damos maior ou menor ênfase ao falar e que terminam funcionando na tela como uma pontuação". Foram dois meses de intensos preparativos. Facilitaram bastante a vida dos atores nas três semanas que durou a rodagem. Júlia e Borges concordam num ponto essencial: "Mais do que um casal, somos atores em busca de grandes textos; o de Raduan é maravilhoso; estamos muito satisfeitos de ter participado da experiência única que foi fazer o filme do Aluizio". (L.C.M.)





