Um bem para todos
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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
Micaela Orikasa <br> Reportagem Local 
Londrina - A realização pessoal pode ser declarada como a busca primordial do ser humano ao longo da vida. Seja através do trabalho, das relações ou da concretização de um sonho, o que importa para a maioria é sentir-se realizado quanto aos desejos. E quando essa aspiração atinge não só o universo individualista, mas o coletivo, a satisfação move ainda mais o sentimento de seguir em frente, fazendo o bem ao próximo.
Seguindo este raciocínio, histórias de moradores de Londrina que têm atuado na área da saúde e educação em prol da sociedade merecem ser contadas. Um exemplo é a médica londrinense Márcia Thomson. Sua bandeira como profissional da saúde é salvar a vida de bebês que apresentam cardiopatia congênita. Motivada também pelo trabalho da Associação de Assistência à Criança Cardiopata - Pequenos Corações, entidade nacional com núcleo em Londrina, Márcia tem conseguido avançar no quesito de diagnóstico precoce e, consequentemente, garantir um tratamento adequado às crianças.
Junto à entidade Pequenos Corações e à Sociedade Brasileira de Pediatria, sua luta resultou na lei nº 358/2011, instituída em março deste ano, que torna obrigatório o teste do coraçãozinho em recém-nascidos em todas as maternidades de Londrina. ''São grandes conquistas. No ano passado, conseguimos instituir a data de 12 de junho como o Dia da Conscientização da Cardiopatia Congênita. Isso dá mais força às mobilizações para discutir o assunto, orientar as gestantes e esclarecer a incidência que é muito alta e pouco falada. Um em cada 100 bebês que nascem no mundo apresenta algum tipo de problema no coração. Dessa estatística, 30% são cardiopatas graves que precisam de acompanhamento ou cirurgia'', afirma.
O exame que detecta cardiopatias graves é simples, realizado por um aparelho que mede a oxigenação no sangue pelo dedinho da mão e do pé do bebê. Mas a luta pela causa ainda não terminou. ''O ideal seria o diagnóstico intrauterino. Se toda gestante fizesse um pré-natal de qualidade, contemplando o ultrassom morfológico, seria um grande avanço, pois com esse exame o médico tem como suspeitar da existência de um problema de coração'', explica.
''Para mim tem um grande significado porque eu coloquei esse trabalho como meta, um projeto de vida. Meu grande sonho é que um dia a gente não precise mais do teste do coraçãozinho, porque ele serve justamente para apontar aquilo que deveria ser observado quando o bebê ainda estava na barriga. O teste é uma grande ajuda, mas espero que consigamos melhorar o pré-natal e que nenhuma criança em Londrina nasça sem o diagnóstico de cardiopatia congênita.''
Multiplicando o saber
Movidos por boas ideias e uma grande vontade, integrantes do ''Biblioteca Viva Itinerante'' têm transformado o universo da literatura infantil em pura diversão. A fórmula tem dado tão certo que há quatro anos eles são patrocinados pelo Programa de Incentivo à Cultura (Promic) da Secretaria Municipal de Cultura.
Mas o destaque não se limita à promoção da leitura por meio de brincadeiras da cultura popular. Ao ocupar praças públicas, eles revelam uma maneira informal de educar. A iniciativa surgiu pelo desejo da pedagoga paulista Daniella Fioruci, de 38 anos, e do ator sergipano Fernando Goes, de 47, em levar um pouco da cultura popular a diferentes espaços e formar um acervo de livros culturais e infantis. Eles já realizaram 77 intervenções em praças e 51 em escolas.
''Atuamos diretamente na formação de educadores através de oficinas de confecção de bonecos, artesanatos e de brincadeiras como a ciranda. A ideia é instrumentar o educador, sempre com o pé voltado para a educação. Não sei se isso faltava em Londrina, mas faltava para nós, como produtores culturais. E o interessante desse trabalho é que é uma prática de educação informal'', diz Goes.
Porém, isso não era suficiente. Era preciso dar à comunidade o acesso a todos os livros do acervo. ''É por isso que ela (a biblioteca) é chamada de Viva, porque não queríamos ficar com os livros e sim trocá-los com as crianças. Isso é o grande diferencial. A ideia é transformar os livros em um brinquedo, pois ele mexe com a imaginação'', explica.
Em cada ação, que dura cerca de três horas, há oficinas e brincadeiras, além de contação de histórias, teatro e dança. A equipe formada por quatro profissionais se divide nas atividades que contemplam, inclusive, os adultos. Daniella e Goes acreditam na educação através de momentos lúdicos. ''É um trabalho de formiguinha pela educação. Na maioria das comunidades onde a convivência entre os moradores é muito violenta, as crianças não têm a prática de leitura, mas não existe criança que não goste de livro.''


