Um Batlle pode novamente ser presidente do Uruguai
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quinta-feira, 25 de novembro de 1999
Por Raúl O. Garcés 
Montevidéu (AE-AP) - O sobrenome Batlle, presente nos nomes dos presidentes deste país desde o começo do século, pode continuar vigente no próximo milênio caso Jorge Batlle vença o segundo turno no próximo domingo e torne-se presidente do Uruguai.
Aos 72 anos, Batlle faz sua quinta tentativa após fracassos nas eleições de 1966, 1971, 1989 e 1994. Ele é sobrinho-neto de José Batlle y Ordoñez, presidente de 1903 a 1911 e filho de Luis Batlle Berres, que ocupou a presidência de 1947 a 1951.
Advogado e jornalista, Jorge Batlle foi uma das vítimas políticas dos primeiros anos da ditadura militar, quando um tribunal militar o processou e o condenou à prisão durante semanas, no ano de 1972, por ter denunciado que as Forças Armadas detinham cada vez mais poder nos assuntos governamentais.
Para as eleições de domingo, quando disputará a presidência com o socialista Tabaré Vázquez, Batlle está respaldado por pesquisas que atestam apoio, apesar da situação atual não permitir assegurar um resultado. O novo presidente assumirá no dia 1º de março.
Batlle, que professa idéias liberais, comprometeu-se a fazer um "governo de unidade", entendendo que é uma definição mais profunda do que "um governo de coalizão".
Ele lembra o respaldo do partido Nacional Blanco, que convocou seus mais de 470 mil eleitores a votarem no candidato colorado, depois de haverem chegado a um acordo a respeito do programa de governo. O apoio dos blancos é fundamental para a obtenção de maiorias no legislativo.
Ao mesmo tempo, esse apoio suscitou uma campanha proselitista repleta de apelações às tradições e emoções que relembram os colorados e blancos absorvidos em duras lutas cívicas e acordos transitórios durante a história independente deste país.
Outro apoio recebido por Batlle foi da minoritária União Cívica, de raízes católicas, com cerca de 5 mil votos, também com alguns acordos que impulsionam o aprimoramento da família.
Batlle é especialista em temas econômicos e fluente em inglês
alemão, francês e português. De 1959 a 1967 foi deputado e cumpre um mandato de senador, que termina este ano, iniciado em 1985.
Batlle, ou "Jorgito", como o chamam carinhosamente, é considerado uma do políticos dos mais inteligentes. Derrubou, contrariando todos os prognósticos, o "delfin" do presidente Julio M. Sanguineti, Luis Hierro López, nas eleições internas realizadas em abril.
Numa atitude rápida de possíveis repercussões internas, Batlle está acompanhado de Hierro como candidato a vice-presidente.
Batlle marcou nitidamente sua postura de campanha e, junto com suas propostas, disparou contra a ideologia marxista da Frente Ampla e contra as contradições de Vázquez, pretendendo, assim, dissuadir os eleitores que queiram votar em seu oponente.
Em páginas inteiras de jornais, publicou palavras ditas por Vázquez em algum momento de sua carreira, seguidas de outras que contradizem as anteriores. Ultimamente tem atacado a controversa política tributária da esquerda.
Batlle e suas políticas econômicas apontam para o que já conquistado, ou seja, ele deve seguir mantendo o controle da inflação, que este ano não deve superar 4%, o déficit fiscal, assim como a política cambial e financeira.


