Um ato vital para os pequenos e frágeis corações
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domingo, 15 de junho de 2014
Diego Prazeres<br> Reportagem Local 
Londrina - Dezenas de corações, corações especiais, subiram aos céus de Londrina no final da manhã de ontem. Foi o ato final, simbólico, da caminhada promovida à margem do Lago Igapó 2 pelo núcleo londrinense da Associação de Assistência à Criança Cardiopata Pequenos Corações para comemorar o Dia da Cardiopatia Congênita. As bexigas vermelhas homenageavam os grandes corações que pararam de bater por conta de uma doença que já atinge uma de cada 100 crianças que nascem no Brasil.
O diagnóstico precoce é uma bandeira que cardiologistas pediatras e pais com filhos cardiopatas vêm levantando. Quanto mais cedo se descobre algum problema no coraçãozinho do bebê, maiores as chances da criança receber o tratamento adequado e levar uma vida normal, saudável, ainda que com algumas restrições.
A falta do diagnóstico e de vagas na rede pública de saúde impedem que cerca de 13 mil crianças com cardiopatia congênita recebam algum tipo de tratamento no País.
Em Londrina, a estimativa é que já tenham sido feitas 1,6 mil cirurgias cardíacas em crianças cardiopatas nos últimos 14 anos. É um número relevante. Mostra que se no início dos anos 2000 a cardiopatia congênita era ainda muito pouco conhecida, hoje em dia essa realidade tem mudado.
E para que o tratamento seja o mais eficiente possível, o ideal é que o diagnóstico surja ainda no exame pré-natal. A cardiologista pediátrica Márcia Thomson explica que já a partir do quinto mês de gestação é possível o cardiologista ou obstetra detectar, por meio do ultrassom morfológico, algum problema que o coração do bebê venha a apresentar. "Suspeitando do problema, o especialista encaminha aquela mãe para o cardiologista pediatra e aí fazemos o ecocardiograma fetal, que é um outro tipo de ultrassom não invasivo. Com esse exame vamos saber exatamente como está a situação desse coraçãozinho e aí diagnosticamos se há a cardiopatia congênita. Diagnosticando, já começamos a acompanhar esse bebê até o nascimento", afirma a cardiologista.
Um dos pacientes que ela acompanhou desde cedo é Octávio Montani Leite, hoje com 13 anos. O garoto nasceu com uma cardiopatia considerava grave, em que as artérias pulmonar e aorta não se separaram, formando um tronco único. A mãe, Luciana Cristina Montani Leite, conta que somente no primeiro mês de vida dele é que percebeu que o coraçãozinho do filho batia diferente. Após o diagnóstico, Octávio se submeteu à primeira cirurgia ainda bebê, no Instituto do Coração, em São Paulo. As outras duas vieram depois, aos quatro e aos nove anos de idade, na mesma instituição.
Luciana admite que no início foi muito difícil lidar com a descoberta da doença, principalmente porque pouco se sabia sobre ela. "Foi bem difícil, porque eu não tinha noção de que uma criança podia ter um problema no coração. Não se conhecia a doença. Eu pensava: por que o meu filho? Mas quando fomos fazer a cirurgia eu vi que havia mais crianças com o mesmo problema", recorda. A reportagem pergunta a Octávio o que muda para ele saber que tem um problema no coração. "Nada", responde. "Jogo bola, ando de skate, corro. Minha pede para eu não competir, então não treino futebol, mas jogo com meus amigos no condomínio", conta.
Márcia Thomson lembra que 30% das crianças cardiopatas nascem com os tipos considerados mais graves da doença. É o caso de Octávio. A prática de esportes, segundo ela, é recomendada desde que não sem excessos. "A recomendação é que não pratiquem esportes como se fossem atletas", diz. Mãe de Pedro Sandeschi, cardiopata com 28 anos de idade, Carla Sandreschi acredita que seu filho seja um belo exemplo de que há vida saudável na cardiopatia. "Muitas mães de bebês cardiopatas congênitos têm a angústia que eu tive. Então, para elas olhar um adulto que leva uma vida normal é uma maneira de ter esperança."


