Sid Sauer
De Campo Mourão
15 de setembro de 1998. Numa solenidade com clima de festa, o diretor regional do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER), João Alberto Sautchuk, anunciou em Campo Mourão o reinício das obras de pavimentação da Estrada Boiadeira (BR-487), entre Campo Mourão e Cruzeiro do Oeste. O anúncio, após uma paralisação que já durava oito anos, atraiu à solenidade os prefeitos de Umuarama, Tuneiras do Oeste e Cruzeiro do Oeste.
Um ano depois, porém, a conclusão do asfalto da Boiadiera continua sendo apenas mais um sonho da região de Campo Mourão. As obras retomadas em setembro de 1998 estão paralisadas desde março e não há nenhuma previsão certa de quando elas serão retomadas. Existem apenas promessas e expectativas. Para a população, por exemplo, o reinício no ano passado foi só mais um ‘‘comício’’ visando as eleições que ocorreram poucos dias depois.
Para quem ainda acredita nas promessas, uma expectativa surgiu no dia 15 deste mês, exatamente um ano após o ‘‘relançamento’’ da estrada. O deputado federal Rubens Bueno (PPS) divulgou que o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, havia anunciado a liberação de R$ 1,47 milhão para as obras. A liberação foi uma resposta a uma audiência que Bueno e os prefeitos de Campo Mourão, Umuarama, e Tuneiras do Oeste tiveram com o ministro em maio.
A liberação dos R$ 1,47 milhão, entretanto, ficou bem abaixo do esperado e não devem significar o retorno da pavimentação. Quando as obras foram reiniciadas, há um ano, a promessa era que R$ 3,4 milhões já estavam disponíveis para os trabalhos. Mas, seis meses depois, as empreiteiras contratadas para a pavimentação paralisaram os trabalhos alegando que ainda não haviam recebido nada.
Somente a Construtora Carpizza, responsável por um trecho de 33 quilômetros a partir de Campo Mourão, alega um prejuízo de mais de R$ 2 milhões. Desde a retomada dos trabalhos, a empreiteira fez cinco quilômetros de asfalto. A Carpizza já tinha asfaltado outros 20 quilômetros entre 1986 e 1990, quando as obras começaram pela primeira vez. Outra empreiteira, a Triunfo, realizou trabalhos de terraplanagem próximo a Cruzeiro do Oeste.
Na Carpizza, a informação é que as obras só serão retomadas depois que o DNER pagar pelos trabalhos já realizados. Enquanto isso, quem corre risco são os cerca de 90 funcionários contratados pela empreiteira, que estão praticamente parados desde março. Apenas parte deles é aproveitada em obras que a empresa vem executando para a prefeitura de Campo Mourão.
A pavimentação da Estrada Boiadeira, que liga o Mato Grosso do Sul com o Porto de Paranaguá, é reivindicada há quase 50 anos. O orçamento da União para este ano prevê R$ 9,5 milhões para o asfaltamento dos 50 quilômetros que faltam entre Campo Mourão e Cruzeiro do Oeste.Após 8 anos de paralisação, obras de pavimentação da estrada foram reiniciadas em setembro de 98 e interrompidas em março
Arquivo FolhaREINÍCIO FRUSTRADORodovia liga o Mato Grosso do Sul ao porto de Paranaguá: asfalto é uma reivindicação de quase 50 anos

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