Um ano após chacina no Pará, nenhuma punição
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quarta-feira, 16 de abril de 1997
Agência Folha 
ELDORADO DE CARAJÁS - Um ano depois do massacre de 19 sem-terra pela Polícia Militar do Pará, em Eldorado de Carajás (a 600 quilômetros de Belém), o processo por lesões corporais contra os 155 PMs, na Justiça Militar, nem sequer foi aberto.
Os soldados continuam trabalhando normalmente. A maioria permanece em Parauapebas (630 quilômetros ao sul de Belém) e Marabá (500 quilômetros ao sul de Belém), nos batalhões que atuaram no massacre.
Os então comandantes de Parauapebas, major José Maria Oliveira, e Marabá, coronel Mário Colares Pantoja, foram afastados e estão sem trabalhar em Belém, à disposição do comando da PM.
Os dois juízes da Auditoria Militar apontaram falhas no Inquérito Policial Militar do massacre e nas denúncias do Ministério Público. Assim, deixaram de recebê-las. O recebimento de denúncia marca a abertura do processo. O MP recorreu ao Tribunal de Justiça. Pela segunda vez, as mais de 1.900 páginas sobre o caso estão no TJ, e o processo, parado. Na última sexta-feira, o TJ acatou o recurso dos promotores. A decisão chegou apenas ontem ao juiz José Roberto Bezerra. Ele disse que vai ser pronunciar oficialmente na próxima segunda-feira.
Ele pode acatar a decisão do tribunal, que mandou receber a denúncia e abrir o processo ou, caso discorde da decisão, pedir afastamento, como fez o primeiro juiz do processo, Flávio de Oliveira.
Em Curionópolis (630 quilômetros ao sul de Belém), o promotor Marco Aurélio Nascimento e o juiz Laércio Larêdo atuam exclusivamente no processo da Justiça Comum, no qual os PMs são acusados de homicídio doloso (intencional). Há também quatro sem-terra acusados de porte ilegal de arma e resistência à polícia.


