Curitiba- Um ano de espera pelo atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS). Este é o tempo que a mãe do menino Natã Trindade do Vale, três anos, aguarda para que o filho dela possa fazer um implante coclear. A criança sofre de surdez profunda devido a um problema na cóclea, um órgão fundamental do ouvido.
Janete do Vale não tem condições financeiras de pagar por este procedimento médico. Ela conta que, com um mês de vida foi dignosticado que o menino não tinha nada de audição. Aos quatro meses ele começou a frequentar uma escola especial e uma fonoaudióloga. Ele já fez duas cirurgias. Colocou um tubo de ventilação no ouvido para evitar infecções e, como tinha fenda palatina (no céu da boca), foi submetido a cirurgia com um ano e três meses.
Quando Natã completou dois anos, a mãe começou a procura pelo implante e fez inscrição no Hospital Universitário de Campinas. Em junho de 2005, o menino passou pela primeira avaliação no hospital e a cirurgia tinha sido marcada para 25 de janeiro deste ano.
Janete foi informada pelo SUS que o valor da cirurgia era de R$ 55 mil e que a instituição teria baixado o valor para R$ 42 mil e que ela teria que pagar a diferença de R$ 13 mil. Segundo ela, a redução no valor teria ocorrido devido à queda na cotação do dólar.
Com o implante é colocado um aparelho na criança e até 24 eletrodos na cóclea, local onde o ser humano tem a audição. Após 40 dias da cirurgia, o paciente volta ao médico para ativar os eletrodos. Na parte externa do ouvido é colocado outro aparelho. Ainda é necessário o paciente andar com um processador de voz na cintura.
Janete disse que a comunicação de Natã é difícil em algumas situações. ''Ele se comunica um pouco por sinais. Diz quando está com dor, fome e sono. Às vezes, a gente não consegue entender o que ele quer dizer'', conta. Segundo ela, mesmo após o implante, a pessoa fica com uma voz diferente.
A mãe explica que a ciência médica e a tecnologia já evoluíram o suficiente para resolver inúmeros problemas do corpo humano, ''porém o governo brasileiro fechou os olhos para essa situação'' quando o Ministério da Saúde baixou a Portaria nº 2.257, de 23 de novembro de 2005, limitando os valores pagos pelo SUS aos fornecedores da tecnologia do implante coclear. ''Antes o SUS cobria completamente os altos custos desse processo. Com essa portaria os implantes cocleares estão completamente parados e, por causa do corte nos recursos, milhares de brasileiros que estão na fila aguardando para a concretização de sonhos e de levarem uma nova vida foram deixados de lado'', revolta-se.
O implante é um procedimento cirúrgico de alta tecnologia. Através da prótese ocorre a captação e decodificação do som, resolvendo o problema dos deficientes auditivos.

mockup