Um a cada três brasileiros perdeu parente ou amigo assassinado
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segunda-feira, 08 de maio de 2017
Celso Felizardo<br>Reportagem Local 

Uma pesquisa inédita divulgada nesta segunda-feira (8) mostra que a cada três brasileiros um já teve um parente ou amigo assassinado. Em números absolutos, isso representa 50 milhões de brasileiros com 16 anos ou mais que perderam um conhecido próximo morto violentamente e de forma intencional, vítima de homicídio ou latrocínio (roubo seguido de morte). A pesquisa foi encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e produzida pelo Instituto Datafolha.
Para a coordenadora institucional do FBSP, Patrícia Pröglhöf, apesar de os dados serem assustadores, eles confirmam o cenário traçado pelo Mapa da Violência nos últimos anos. Segundo a versão mais recente do estudo produzido pelo Fórum, 58 mil pessoas morreram em todo o País em 2015. "Que o número de assassinatos era alto nós já sabíamos, mas com a pesquisa foi possível medir o impacto disso na sociedade além da Segurança Pública, em questões de saúde, psicológica e até econômica", analisa.
O levantamento também aponta que 12% dos entrevistados conhecem alguém que morreu em decorrência de homicídio praticado por policial ou guarda municipal, percentual que se eleva entre os mais jovens, chegando a 17% da população entre 16 e 24 anos. Foram realizadas duas mil entrevistas com a população brasileira adulta com 16 anos ou mais, em 150 municípios de pequeno, médio e grande portes entre os dias 3 e 8 de abril de 2017.
Jovens, negros, do sexo masculino são as maiores vítimas da violência letal (64%). "É o reflexo da população que está mais vulnerável à violência. As estatísticas têm melhorado, mas de forma muito lenta. Houve uma estabilização dos homicídios nos últimos anos, mas não há como comemorar porque o congelamento se deu em um patamar muito elevado", argumenta.
Outra constatação de grande impacto é a de que ao menos 5 milhões de pessoas relataram ter sofrido agressão com arma de fogo. Dezesseis milhões de pessoas disseram já ter sofrido ameaças de morte. Além disso, 10 milhões afirmaram já ter sido ferida por faca ou outra arma branca. Para Patrícia, além da responsabilização dos culpados, a saída para a redução dos índices são políticas de acolhimento conjuntas. "É um desafio que envolve vários atores e só vai poder ser solucionado com o engajamento coletivo. Não é uma pessoa sozinha, um salvador da pátria que irá resolver tudo", diz.
Para 94% dos entrevistados, o nível de homicídios é muito alto no Brasil. A pesquisa também mostra que 96% acreditam que o combate à violência não é obrigação apenas das polícias. Algacir Mikalovski, especialista em Segurança Pública e membro do Núcleo de Pesquisa em Segurança Pública e Privada da Universidade Tuiuti do Paraná, defende o maior envolvimento dos municípios nas questões de segurança. "Apesar de a Segurança Pública ser de responsabilidade do Estado, os órgãos locais devem exercer o municipalismo e ativar suas ferramentas de proteção ao cidadão", opina.
Mikalovski vê nas guardas municipais um importante aliado para a redução dos índices de violência. "A Guarda Municipal nunca substituirá a Polícia Militar, mas ela pode complementá-la e, inclusive abastecer a Polícia Civil com dados que possam levar à elucidação dos crimes".
Por meio de nota, a Secretaria Estadual de Segurança Pública e Administração Penitenciária (Sesp) destacou que a taxa de homicídios no Estado caiu de 30,4 para cada 100 mil habitantes, para 22 por 100 mil habitantes entre 2010 e 2016. "A Segurança Pública é o último recurso, o setor é demandado quando todo o resto falhou ou deixou a desejar, como oferta de saúde, educação e oportunidades", traz a nota.
Ainda segundo a Sesp, das 23 Áreas Integradas de Segurança Pública (Aisp) do Paraná, 13 apresentaram diminuição no número de homicídios nos primeiros três meses de 2017, entre elas a de Capital, Região Metropolitana de Curitiba (RMC) e Litoral.


