Júlia, de oito anos, tomou a primeira dose do medicamento que bloqueia a liberação de hormônios 'da puberdade' neste mês. Mas até que a mãe, Daniela, conseguisse o diagnóstico, e, por fim, o remédio, se passou quase um ano.
Quando Daniela percebeu o primeiro sinal na filha - odor na axila - procurou um pediatra, que disse ''que não era nada''. A mãe não se conformou e comentou sobre o assunto com a própria ginecologista, que a aconselhou a buscar um endocrinologista pediátrico.
O profissional pediu exames como o raio X da mão para medir a idade óssea, ultrassom de ovário e útero e dosagens hormonais. Em julho, a menina fez oito anos e outros sinais aparecerem - cravos no rosto e crescimento acelerado - mas um, em particular, deixou a mãe 'apavorada', o crescimento de nódulos nas mamas. ''Aí, apavorei. Mas, conversando com outras mães, você vai descobrindo que há muito casos'', afirma.
O raio X apontou um resultado considerado normal, com uma pequena diferença da idade de fato da idade óssea. Já o ultrassom, mostrou ovários estimulados, com vários folículos, que poderiam fazer a menina menstruar, e as taxas hormonais também apresentaram alteração.
O tratamento indicado para Júlia foi a prática de atividade física e o uso de um medicamento para bloquear a puberdade precoce. Aí começou outra fase para Daniela - a busca do remédio, que custa em torno de R$ 1,8 mil, pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A injeção intramuscular deve ser utilizada a cada três meses. ''É demorado o processo, foram dois meses para conseguir o medicamento pelo SUS. Mas, se ela responder bem ao tratamento, o que eu espero, o objetivo é 'segurar' a puberdade até por volta dos 12 anos'', diz.(C.P.)

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