Ultra-som faz diagnóstico precoce de aneurisma e AVC
PUBLICAÇÃO
domingo, 31 de agosto de 2008
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Um exame simples, fácil e indolor é capaz de fazer o diagnóstico precoce de doenças que podem levar à morte em até 90% dos casos - o aneurisma e o acidente vascular cerebral (AVC). O exame é o ultra-som e o alerta faz parte de uma campanha do Hospital do Coração de Londrina para o chamado check-up vascular.
As duas doenças, segundo os cirurgiões vasculares Fernando Thomazinho e Rodrigo Gomes de Oliveira, são consideradas ''silenciosas'' porque geralmente não apresentam sintomas. ''Quando o paciente sente dor, o estágio está avançado'', alerta Thomazinho. Daí a importância do diagnóstico precoce. ''O aneurisma leva à morte em cerca de 90% dos casos. É preciso reverter este quadro'', ressalta Oliveira.
O aneurisma é uma dilatação anormal de artéria em qualquer ponto do corpo, que pode se romper sem aviso. O mais comum é o aneurisma da aorta abdominal, cujo rompimento pode ser fatal. ''Quando ele rompe, 50% dos pacientes morrem antes mesmo de chegar ao hospital, e desses que chegam, metade morre antes da cirurgia'', informa Thomazinho. Mas, se o aneurisma for detectado precocemente e tratado, o índice de mortalidade cai para em torno de 5%.
Já o AVC é a obstrução de sangue, e consequentemente oxigênio, para o cérebro, com várias causas. A mais comum é a obstrução da carótida, artéria que irriga o cérebro, por placas de gordura (aterosclerose). ''Até 50% dos AVCs têm como origem a doença na carótida, por isso é importante saber o grau de obstrução e tratar'', avalia Thomazinho.
Se mais de 50% da carótida está obstruída, o tratamento é cirúrgico. Quando a obstrução é menor, o tratamento pode ser clínico, com uso de medicamentos para redução do colesterol e intervenção em fatores de risco, como hipertensão, tabagismo, diabetes e obesidade.
No caso do aneurisma, o tratamento programado acontece normalmente por via endovascular, como um cateterismo, com cortes na virilha, para a colocação de uma prótese que vai substituir o local onde há a dilatação. ''Esse tipo de procedimento tem recuperação bem mais rápida que a cirurgia de corte inteiro, feita antes'', explica Thomazinho. O tratamento clínico, com medicamentos que evitam a progressão da doença, é feito quando a dilatação está abaixo de cinco centímetros de diâmetro. O aneurisma não tem uma causa definida, mas tem fatores de risco, como algumas doenças congênitas e o tabagismo, que aumenta em cinco vezes as chances dele se desenvolver.
O ultra-som, segundo os médicos, é indicado para pacientes com idade acima dos 60 anos, que tenham um ou mais fatores de risco para as doenças. O exame na região abdominal e na carótida mostra a situação vascular do paciente, detectando possíveis obstruções e riscos, e permitindo a intervenção precoce.
Serviço:
Mais informações sobre a campanha de check-up vascular pelo telefone 3315-2000


