Distinguir nariz, boca, mãozinhas, ver o bebê se mexendo e até bocejando dentro da barriga da mãe - isso já é possível com o ultra-som em quatro dimensões (4D), que permite a visualização do feto em perspectiva e em tempo real. Mas o exame é mais do que matar a curiosidade dos pais antes do nascimento do filho - ele permite o diagnóstico, com segurança, de malformações fetais, como lábio leporino e alterações nas extremidades (mãos e pés).
A ginecologista Denise Cavenaghi Prete, especialista em imagem e professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL), explica que em uma gestação normal a recomendação é que sejam feitos quatro ultra-sons convencionais. Isso permite acompanhar e avaliar o crescimento do bebê e sua vitalidade fetal, além de fornecer informações ao obstetra, caso o bebê não esteja crescendo ou perdendo líquido. ''E é durante a ultra-sonografia que normalmente as mães tiram dúvidas como o tamanho e peso do bebê e se ele está encaixado'', explica.
Já o ultra-som 4D, enfatiza, apesar de não dispensar o exame convencional, ''veio agregar valor'', já que com ele também é possível avaliar os órgãos internamente. ''Melhora o diagnóstico de malformações uterinas e pode dispensar outros exames. Enquanto os pais 'curtem' o ultra-som, nós estamos vendo a implantação da orelha, da boca, a posição e formação dos olhos, contando os dedos, e vendo as cavidades do coração. E é possível ver o útero em cortes diferentes do convencional'', ressalta.
Outro benefício, segundo a médica, é aumentar a interação dos pais com o bebê, ''ver o que antes não se tinha acesso''. ''Para o pai, principalmente, que não tem as mudanças no corpo, é a oportunidade de uma percepção maior do feto, e para a gestante é um momento especial'', avalia.
A melhor época para fazer o ultra-som 4D é entre a 26 e a 32 semana de gravidez quando a fisionomia do feto já está formada. Com o exame é possível ver o bebê se mexendo, abrindo a boca, brincando com o cordão umbilical.
Mas, como o exame 4D é mais caro, mais demorado e mais difícil de fazer, já que é necessário maior noção de perspectiva espacial de quem faz o exame, não tem cobertura pelos planos de saúde. ''Os convênios não cobrem porque têm a noção de que o exame é apenas estético. Mas acho que não tem mais como voltar atrás, fazemos o 4D porque dá segurança no diagnóstico e não porque é 'bonitinho''', afirma a médica.
Grávida de 18 semanas, a historiadora Agda Marisa Souto e o empresário Oscar Bressan Neto, ambos de 32 anos, se surpreenderam ao ver o filho durante o ultra-som 4D. Com pouco mais de 20 centímetros e 450 gramas, ele se mexeu bastante e bocejou durante o exame. ''É muito real, muito 'bonitinho', e bem diferente do outro exame''.

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