Na era dos sapatos descartáveis, de até R$ 10,00, alguns profissionais da sapataria ainda resistem ao tempo em Londrina. Mas, hoje, no dia do sapateiro, avisam: a profissão corre risco de extinção. ''Os bons profissionais estão acabando e ninguém está querendo aprender a ser sapateiro'', afirma um dos profissionais mais antigos da cidade, Milton Abade Bonfim, de 67 anos, e 55 anos de profissão.
''Hoje não tem como você manter um aprendiz porque tem que pagar salário, fundo de garantia, não vale a pena. E não tem pessoas querendo aprender a profissão'', constata o sapateiro Jorge Bittar, de 73 anos, que já se aposentou e hoje se dá ao ''luxo'' de iniciar o expediente apenas à tarde, sem perder clientes por causa disso.
Munidos de faca, martelo, alicate e o chamado ''pé de ferro'', Bonfim e Bittar não reclamam de falta de serviço. Fazem, cada um na sua loja, pintura, forração, troca de sola e de salto e todos os tipos de reforma, em sapatos principalmente femininos. Para Bonfim, a explicação para a necessidade de tanta reforma está na qualidade dos sapatos. ''Os sapatos de hoje têm preço, mas a qualidade caiu. Minha reforma fica melhor que o sapato novo'', gaba-se.
No caso de Bonfim, a profissão foi escolhida pelos pais. Já Bittar escolheu a atividade que exerce desde os 14 anos. Mas, nenhum dos filhos desses dois sapateiros seguiram os passos dos pais. Os filhos de Bonfim seguiram na área de informática, os de Bittar, na área de farmácia e vendas. ''Eu não forcei nada. Acho que daqui a alguns anos vão falar: ''Aqui tinha um sapateiro, o melhor de Londrina...'', brinca Bonfim.
Não deixar morrer a atividade de sapateiro é a proposta da rede de franquias Sapataria do Futuro, com 160 lojas por todo o país. Para isso, ela investe em novos recursos e tecnologia e está formando mão-de-obra para a própria rede e para o mercado de trabalho com uma escola de sapateiros, em São Paulo, com cerca de 20 alunos. ''Com a especialização os jovens tem a possibilidade de ganhar uma profissão e um salário digno'', afirma a diretora da entidade, Sandra Lia Telles de Menezes.

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