Dois meses e meio depois da rebelião que causou estragos em toda a Penitenciária Estadual de Londrina (PEL 2), o governo estadual enfim esvaziou o pátio principal da unidade, que chegou a abrigar mais de 700 detentos em outubro. De acordo com o Departamento de Execução Penal (Depen), os últimos 40 dos 750 presos foram encaminhados para as celas recém-reformadas.
O esvaziamento do pátio só foi possível por conta da instalação de uma tela metálica improvisada nos fundos da unidade. O material doado pela comunidade liberou duas celas com capacidade para abrigar até 144 presos. A proximidade das celas com um terreno, aos fundos da prisão, facilita a entrada de armas, drogas e celulares que são arremessados por cima dos muros para os detentos. A solução improvisada deve permanecer até o término do cercamento da penitenciária, que será feito com uma tela apropriada pela empresa curitibana AZ3 Construtora de Obras LTDA.
Única participante do processo licitatório, a construtora teve o envelope aberto na terça-feira e, ontem, apresentou todos os documentos necessários. A vencedora vai fazer a instalação da tela pelo valor de R$ 134,1 mil. Após três dias para recursos, o governo deve abrir ordem de serviço com o prazo máximo de 180 dias para o término das obras. No entanto, procurada pela reportagem, a AZ3 Construtora informou que o trabalho é considerado simples e que deve ficar pronto em 30 dias.
Segundo informações do Comitê de Gestão de Crise da PEL 2, formado por vereadores, advogados e representantes dos Direitos Humanos, a retirada dos detentos do pátio era a principal reivindicação, mas o grupo continua cobrando que o governo melhore a transparência no repasse das informações. Na semana passada, a Secretaria da Segurança Pública e Administração Penitenciária do Paraná, responsável pelo Depen, foi alvo de uma moção de repúdio do Conselho Permanente de Direitos Humanos do Estado do Paraná (Coped).
No início de novembro, dois presos ficaram feridos gravemente e um morreu após ser arremessado do telhado. As três alas foram destruídas e mais de 300 presos foram transferidos para outras unidades prisionais do Estado. Em entrevista coletiva na quinta-feira, o diretor do Depen, Luiz Alberto Cartaxo, admitiu que a rebelião foi orquestrada por uma facção criminosa de São Paulo que mantém um braço no Paraná.

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