Últimos acontecimentos perturbam relação franco-alemã Do correspondente Gilles Lapouge
Paris, 19 (AE) O chanceler alemão, Gerhard Schrder, concluiu sua turnê européia com uma visita a Paris. Não faltavam assuntos para tratar com o presidente Jacques Chirac e o primeiro- ministro Lionel Jospin, às vésperas de uma reunião de cúpula da maior importância a ser realizada em Berlim nos dias 24 e 25 de março.
Dois acontecimentos recentes perturbaram o equilíbrio franco-alemão: o primeiro foi a demissão do ministro das finanças alemão, Oskar Lafontaine, personagem que era ao mesmo tempo socialista de tendência dura e ideológica e muito próximo dos franceses. Sua saída deixa o chanceler Schrder, cujo socialismo tem cores pálidas e se assemelha mais ao do inglês Tony Blair, com as mãos livres.
Segundo acontecimento: a demissão em bloco da Comissão de Bruxelas faz da União Européia um barco à deriva. Ora, como é a Alemanha que preside este semestre a União Européia, cabe a Schrder decidir a rapidez e as modalidades da nomeação de uma nova Comissão de Bruxelas para substituir aquela que acaba de "explodir em pleno vôo".
Esses assuntos referem-se a um passado recente. Mas Schrder e seus anfitriões franceses têm também que se preocupar com um futuro, um futuro bastante sombrio: a França e a Alemanha divergem sobre dois pontos e pelas mesmas razões: de um lado a "política agrícola comum" (Pac) e de outro lado, "a agenda 2000", ou seja, o financiamento da União Européia.
Em relação às duas questões, a Alemanha julga que vertem muitos bilhões de euros na caixa comum e exige uma redução.
Os franceses não concordam com isso. Opõem-se fortemente às exigências da Alemanha.
Chirac e Schrder procuraram, portanto, esta manhã aproximar os pontos de vista.
Mas, é difícil "afinar os violinos". Tanto Chirac como Schrder dispõem de margens de manobra minúsculas. Se, por exemplo, a França ceder às exigências alemãs em matéria de política agrícola, isso provocará a revolta de milhões de camponeses franceses.
Schrder, por sua vez, é severamente vigiado pela oposição de direita em seu país, os Cristãos-Democratas, que reclamam uma redução maciça das contribuições alemãs ao orçamento da Comunidade.
De maneira que, apesar esforços, parece difícil que as relações entre os dois países possam voltar rapidamente a se desenvolver sob o céu azul que brilhava no tempo da dupla Mitterand/Kohl.





