Último quadro de Van Gogh está desaparecido
Washington, 26 (AE-ANSA) - A última obra de arte do pintor holandês, Vincent Van Gogh, está desaparecida e teme-se que tenha sido queimada quando da morte de seu proprietário. O "Retrato de Paul-Ferdinand Gachet", pintado por Van Gogh em 1890, foi arrematado por US$ 82 milhões num leilão em 1990, em Nova York - maior valor já pago por um quadro. Dessa forma, a obra terminou nas mão do empresário japonês, Ryoei Saito. Algum tempo depois, Saito disse a amigos que tinha deixado ordens para que, quando morresse, o quadro fosse cremado junto com ele. O empresário morreu há três anos e, desde então, a obra nunca mais foi vista. A história foi reconstruída pelo jornal Philadelphia Inquirer, que relata o fracasso das investigações efetuadas há dois meses. O primeiro sinal de alarme foi emitido pelo Metropolitan Museum de Nova York, que há um ano pediu aos herdeiros de Saito o empréstimo do Van Gogh para uma mostra - em exposição no momento. Contudo, os curadores do museu receberam como resposta a informação de que a família não tinha encontrado nenhum vestígio do quadro. O catálogo da mostra novaiorquina justifica a ausência do "Retrato de Paul-Ferdinand Gachet" com uma nota, explicando que ninguém sabe de seu paradeiro. Joseph Rishel, um especialista em arte moderna do Museu da Filadélfia, também tentou encontar uma pista, na esperança de expor o quadro no próximo outono, porém, só conseguiu confirmar o seu desaparecimento. No início dos anos 90, o empresário Ryoei Saito foi nomeado presidente da fábrica de papel Daishowa, a segunda maior do Japão. Na época, seu patrimônio pessoal foi estimado em US$ 770 milhões. Em 1990, por meio de um representante, gastou US$ 160 milhões em um leilão em Nova York: US$ 82,5 milhões pelo "Retrato de Paul-Ferdinand Gachet" e US$ 78,1 milhões por uma tela de Renoir. Estes foram os maiores valores já pagos por obras de arte. Algum tempo depois, Saito declarou a imprensa japonesa que havia dado uma rápida olhada nas duas telas e depois as guardou num depósito. No entanto, o furor causado pelo leilão não lhe trouxe nenhuma fortuna, ao contrário, atraiu a atenção da receita federal japonesa que nesse ano cobrou o equivalente a US$ 24 milhões em impostos. "Sobre estes malditos quadros, meus herdeiros não pagarão imposto de herança. Quando for cremado, os quadros serão queimados comigo", disse Saito a amigos, de acordo com o jornal Yomiuri. Ninguém levou a declaração a sério, no entanto, o Van Gogh em questão nunca mais foi visto desde que Saito morreu de enfarte em 1996, aos 79 anos, cercado por escândalos e dívidas. Atualmente, há quem coloque em dúvida que a aquisição do Van Gogh tivesse sido legítima. O gênio holandês pintou dois retratos do doutor Gachet, um médico homeopata que o assistia. O quadro que foi para o Japão era o mais famoso. O "Retrato de Paul-Ferdinand Gachet" foi confiscado em 1937 pelos nazista para o museu Stadel de Frankfurt, mas terminou nas mãos de Hermann Goering, que o vendeu ao banqueiro alemão Franzo Koenigs. Antes da guerra, Koenigs cedeu o quadro a Siegfried Kramarsky, um colecionador judeu que fugiu para os Estados Unidos. Os herdeiros de Kramarsky emprestaram a obra ao Metropolitan Museum de Nova York até 1990, quando decidiram vendê-lo para aproveitar a forte valorização dos quadros "impressionistas". Porém, exatamente nesses dias ocorreu a maior polêmica sobre as obras de arte roubadas pelos nazistas. O museu alemão Stadel, uma fundação privada, poderá reivindicar a restituição do Van Gogh, se conseguir encontrá-lo.





