Último dia teria pizza, pipoca e TV
José SuassunaMônica Echermann: oraçõesGuilherme Kurten: pai-nosso e uísqueSe o mundo fosse acabar, de verdade, a véspera do fim do mundo seria um dia tranquilo, como um domingão, com as ruas vazias, carros na garagem, famílias reunidas em casa, vendo televisão, comendo pizza e pipoca. É assim que a maioria das pessoas entrevistadas disse que passaria seu último dia na Terra.
O presidente da Assembléia Legislativa, Aníbal Khury, é um dos que ficariam em casa. ‘‘Ia esperar tranquilamente em casa, vendo televisão com a família’’, diz. O deputado estadual Algaci Túlio também aproveitaria para passar o dia em casa. ‘‘Ficaria com a família e me prepararia espiritualmente. Eu não faria nenhuma extravagância, pois já fiz muitas ao longo dos meus 58 anos’’, diz.
‘‘Ia ficar em casa com os meus pais, comer uma pizza, mas não ia pagar a conta’’, disse o policial Carlos Augusto Ferreira. Seu colega de profissão, Arnaldo Turski não sabe o que faria, mas sabe que ‘‘ficaria feliz porque não teria que trabalhar’’. Alguns, como a telefonista Mônica Echermann, preferem rezar. ‘‘Eu ia me unir às pessoas que eu mais gosto neste mundo e iria rezar para que o fim não fosse tão trágico.’’ Já Guilherme Kurten, que passeava ontem com a mãe Teresinha, diz que também rezaria um pai-nosso, mas antes ia relaxar tomando um uísque. A mãe, por outro lado, disse que não acredita no fim do mundo e continuaria vivendo normalmente.
A exceção fica por conta de poucas pessoas. O fotógrafo Emerson dos Santos, por exemplo, diz que ‘‘roubaria um carro, procurava um monte de mulheres e ia curtir uma praia, um belo mar’’. Já o sem-terra Luiz Ivano Born, acampado em frente ao Palácio Iguaçu, preferia ter uma atitude mais humanista nesse momento. ‘‘Eu iria fazer algo que favorecesse o povo, que talvez fosse até fazer parte da história.’ (M.G.)

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