Berlim, 13 (AE-AP) - Dez anos depois de autorizar a abertura do Muro de Berlim durante suas poucas semanas como líder da antiga Alemanha Oriental, o ex-comunista Egon Krenz foi confinado hoje (13) numa penitenciária das cercanias da capital alemã para cumprir pena de seis anos e meio, por envolvimento no assassinato a tiros de dezenas de alemães orientais que tentaram fugir para o Ocidente. "Não sou criminoso e estou com a consciência tranquila", disse ele ao chegar de táxi à prisão modelo de Hakenfelde, no subúrbio berlinense de Spandau às 14h58 - 2 minutos antes do prazo fixado pelos juízes do tribunal. Tudo indica que ele terá permissão para sair dali durante o dia, desde que retorne à noite.
Krenz foi condenado em 1997 por um tribunal especial da capital alemã. Recorreu às duas instâncias superiores da Justiça alemã - a Corte Suprema e o Tribunal de Garantias Constitucionais - e teve seus recursos rejeitados. "Sou uma vítima da Justiça dos vitoriosos", desabafou.
O ex-líder comunista definiu a sentença como resultado de um "autêntico julgamento político". Ele acompanhou a apreciação dos recursos em liberdade. Os advogados da defesa alegaram que Krenz não violou nenhuma das leis da ex-RDA, quando serviu ao regime comunista e, posteriormente, ocupou o poder, sendo, portanto, inocente. "A RDA era um Estado soberano, reconhecido pela ONU", disse um dos advogados, anunciando que o ex-líder comunista alemão oriental vai recorrer ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos.
Os juízes do Tribunal de Garantias Constitucionais ratificaram a sentença, afirmando que a ex-RDA "violou de forma maciça a concepção geral dos direitos humanos e alentou de forma inequívoca injustiças criminais".
Partidários do ex-líder comunista haviam apresentado recentemente pedido de clemência ao prefeito de Berlim, Eberhard Diepgen, que foi rechaçado.
Desde que a ex-URSS impôs o regime comunista ao território alemão controlado por ela no fim da 2.ª Guerra Mundial até 1989 (queda do muro), cerca de mil pessoas perderam a vida tentando fugir para a Alemanha Ocidental. Como braço direito de ex-líder máximo comunista alemão oriental Erich Honecker (já falecido), Krenz teve papel preponderante na política de repressão, embora a tenha revogado quando assumiu o poder por um breve período.

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