São Paulo, 20 (AE) - O corpo do dramaturgo e ator Plínio Marcos foi cremado hoje, no Crematório de Vila Alpina, às 12h30. O cortejo saiu sob aplausos, em carro aberto do Corpo de Bombeiros, às 11h15, deixando o Teatro Sérgio Cardoso. Ali o corpo foi velado durante toda a noite por parentes e centenas de amigos, que lotaram o saguão e as escadarias do teatro.
No anfiteatro de Vila Alpina, cerca de 150 pessoas prestaram a última homenagem a Plínio Marcos. O caixão chegou coberto com a bandeira do Jabaquara, time santista da 2ª divisão. Participaram da homenagem Marco Antonio Rodrigues, que dirigiu "O Assassionato do Anão", último texto inédito Plínio que foi ao palco, no ano passado, Eduardo Tolentino, diretor do grupo Tapa, que está em temporada com "Navalha na Carne", na Aliança Francesa.
Velório - Durante a madrugada, o velório no Teatro Sérgio Cardoso foi tomado de muita emoção, principalmente quando começaram a chegar os diretores e atores que estavam trabalhando nos teatros da cidade. "Num País que esquece seus mitos, foi bom que Plínio Marcos tenha podido ver que suas peças continuam vivas e fortes no palco", disse o diretor Tolentino.
No caixão estavam dois estandartes do Banda Redondo e Banda Bandalha, colocados pelo sambista Carlão, fundador da Redondo e amigo de Plínio Marcos. A Banda Redondo foi fundada por Carlão e a Banda Bandalha, por Plínio Marcos, em resposta aos cariocas que ironizavam paulistas por não terem samba. A atriz Walderez de Barros, ex-mulher, era porta-estandarte nessa banda.
"A importância de Plínio Marcos para o teatro brasileiro ainda não foi devidamente dimensionada", disse o ator Sérgio Mamberti, que interpretou o homossexual Veludo na primeira montagem de "Navalha na Carne", em 1968. "A morte de Plínio simboliza a morte de uma atitude no teatro", disse o diretor e fundador do Teatro de Arena, José Renato.
"Ele tinha uma autenticidade fundamental; uma arrogância necessária; a coragem de dizer o que as pessoas devem ouvir; ele brigava por meio das palavras."
Às 3 horas, o diretor do Teatro Oficina, José Celso, comandou a leitura coletiva de um folheto com várias frases do Plínio Marcos. A primeira era: "Onde houver autoridade, não pode haver criatividade".
Às 4 horas, o sambista Carlão puxou um samba de Geraldo Filme para homenagear o dramaturgo. A letra é a seguinte: "Silêncio, o sambista está dormindo. Ele foi, mas foi sorrindo. Peço licença um minuto, silêncio, o Bixiga está de luto". Plínio Marcos aplaudiria. "Nos velórios de amigos, Plínio Marcos ficava sempre pelos cantos, contando piadas sobre o morto", disse o dramaturgo Osvaldo Mendes.
Palco - Para homenagear Plínio Marcos, os atores de "Navalha na Carne" vão voltar ao palco após a apresentação nesta noite de sábado. Normalmente eles encerram o espetáculo e não retornam para os aplausos.

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