Rio, 09 (AE) - A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), maior instituição federal de ensino superior do País, tem hoje uma dívida de R$ 28,5 milhões, valor que é superior ao da verba de R$ 22,9 milhões destinada anualmente pelo Ministério da Educação para o custeio da universidade. Em 1998, a UFRJ gastou mais que esse orçamento (108% da verba) somente com o pagamento de contas de energia elétrica, água, telefone, vigilância e limpeza, sem contar os investimentos na produção acadêmica.
Por causa dessa situação, o reitor José Henrique Vilhena - que teme, como principal consequência, prejuízos dos programas de pesquisa -, vai procurar, na próxima semana, os senadores do Estado para "pressionar" o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, pela modificação do critério de cálculo e distribuição das verbas destinadas às universidade federais.
De acordo com Vilhena, a UFRJ, com um custo anual de cerca de R$ 50 milhões, arrecada apenas R$ 5 milhões em recursos própios e, por isso, depende da verba federal - quanto à questão da dívida, somente à Ligth a universidade deve R$ 9 milhões.
"Não queremos privilégio porque, de todas as universidade federais, somos a que está com o orçamento mais comprometido", analisa Vilhena.
Dados fornecidos pela reitoria confirmam a informação. De todas as instiuições federais, a UFRJ é a única que apresentou, em 1998, um comprometimento de mais de 100% do orçamento com custeio básico. Na Universidade de Brasília (UnB), esse valor foi de 78%, e a média das universidades, 53%.
Segundo o reitor, a matriz de cálculos das verbas, que é estabelecida por um acordo entre o Ministério da Educação e a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), não leva em conta a produção acadêmica. Ainda de acordo com as tabelas apresentadas pela reitoria, a implantação desse critério, em 1994, causou uma drástica redução no orçamento da UFRJ.
Por outo lado, Vilhena apresentou dados que mostram a elevação contínua do número de alunos inscritos na universaidade nos últimos dez anos: de de 19.720, em 1989, para 33.091, em 1998. "Acho impossível que o governo não se sensibilize com essa situação." A situação do Hospital Universitáruio Clementino Fraga Filho (HUCFF), que fica no campus da Ilha do Fundão, na zona norte do Rio, é mais um exemplo da crise por que passa a UFRJ. Como alternativa emergencial para evitar a falência, a unidade fechou 67 leitos na segunda-feira (07).

mockup