Rio, 26 (AE) - Alugar parte do terreno da Ilha do Fundão para a iniciativa privada construir centros de convenção e exposição, hotéis e até shopping centers pode ser, a longo prazo
a solução para a crise financeira da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Desde 1996, a universidade vem acumulando uma dívida de R$ 22 milhões em luz, água, telefone, segurança, e em serviços de manutenção, como limpeza e roçado. "Não adianta só pagar a dívida, é preciso criar formas de resolver o problema estruturalmente", afirmou o sub-reitor de Patrimônio e Finanças
Maurício Arouca, que alabora o projeto para captação de recursos para a universidade.
A curto prazo, no entanto, a UFRJ tem um grande problema a resolver. O repasse anual feito pelo Ministério da Educação (MEC), de cerca de R$ 23 milhões, não é suficiente para o custeio de toda a universidade, que gasta, em média, R$ 39 millhões por ano. Só com a Light, a dívida acumulada é de R$ 10 milhões. Há uma semana, a empresa chegou a ameaçar cortar a luz dos campi, caso não recebesse o dinheiro. A assessoria de imprensa da Light informou hoje que está em negociação com a UFRJ e que não estipulou nenhum novo prazo para o pagamento. "Temos uma reunião marcada no início de maio com o ministro da Educação (Paulo Renato) para tentarmos uma solução", contou Arouca.
A sub-reitoria de Patrimônio e Finanças está também fazendo um levantamento de todas as despesas da universidade para definir em que setores pode cortar gastos. "Queremos que os nossos gastos fiquem em R$ 30 milhões", disse Arouca. "Para isso, estamos em negociações com a Prefeitura para que ela assuma parte dos gastos com iluminação e manutenção das vias da Ilha do Fundão". Segundo Arouca, a universidade arca sozinha com todas as despesas da ilha, que tem 500 hectares - o equivalente aos bairros de Ipanema e Leblon juntos. "Só com a empresa que faz o roçado do terreno, nossa dívida é de R$ 2 milhões", exemplificou.
A longo prazo Arouca aposta em projetos que possam trazer retorno financeiro à universidade e bancar parte das despesas de manutenção. "Usamos apenas 15% do terreno da Ilha, é preciso ocupá-la com parceiros da iniciativa privada", lembrou. Em uma primeira etapa, a reitoria pretende alugar parte do terreno para a instalação de empresas privadas. A Embratel, por exemplo, já está construindo em uma área do campus seu Centro de Pesquisas mediante um aluguel de R$ 8 mil. Em junho, a UFRJ estará lançando grandes projetos de ocupação da ilha, que englobam a construção de um parque ecológico da Mata Atlântica, um centro de convenção e exposição, hotéis e shoppings. "Vamos lançar os projetos para atrair os parceiros interessados em tocá-los", disse.

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