UFRJ ameaça fechar Canecão
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domingo, 13 de junho de 1999
Por Roberta Jansen 
Rio, 10 (AE) - Considerada a mais tradicional casa de espetáculos do Rio, o Canecão corre o risco de fechar as portas dentro de um mês. O reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), José Henrique Vilhena, enviou uma notificação à casa pedindo que o imóvel seja desocupado. Motivo: a casa deve mais de R$ 2 milhões em taxa de ocupação de terreno à UFRJ, proprietária da área, segundo cálculos do sub-reitor de Patrimônio e Finanças, Maurício Arouca.
"Queremos fazer ali empreendimentos que possam gerar recursos para a universidade", explicou Arouca. "Na nossa avaliação, aquela área pode render até US$ 5 milhões por ano e não rende nada." Inaugurado em 1967, o Canecão ocupa cerca de quatro mil metros quadrados da área total de 102 mil metros quadrados do campus da Praia Vermelha, na Urca, zona sul. Em 1996, quando o contrato com a casa de espetáculos expirou, a UFRJ e o Canecão não chegaram a um acordo e não renovaram o documento.
Segundo informações da Procuradoria Geral da UFRJ, desde 1994 o Canecão se recusava a pagar R$ 16 mil pela taxa de ocupação do terreno. Mediante ação de consignação de pagamento impetrada junto a 14ª Vara Federal, depositava em juízo a metade desse valor. Em 1996, quando o contrato expirou, a UFRJ decidiu não renová-lo porque o Canecão estaria disposto a pagar apenas R$ 10 mil por mês. Pelos cálculos dos procuradores da UFRJ, a taxa de ocupação do terreno vale até R$ 50 mil.
Ainda de acordo com informações da Procuradoria Geral da UFRJ, se o imóvel não for desocupado em um prazo de trinta dias, a universidade entrará na Justiça com uma ação de reintegração de posse. "Na verdade, desde 1996 o Canecão é posseiro no nosso terreno", afirmou Maurício Arouca. "Não temos nada mais para negociar com eles." Procurado pela reportagem, o sócio da casa de espetáculos Mário Priolli não foi localizado. Sua assessoria de imprensa limitou-se a informar que o Canecão tem shows marcados até março de 2000 e que o movimento na casa é normal.


